quinta-feira, setembro 26, 2019

Se Greenberg é Monte Verde, Bergman é o Homem Monte?

Depois de tanta estrada, o plano era ficar por São Paulo. Mas vida é o que acontece enquanto fazemos outros planos, né? Então, mais uma vez saí do trabalho na sexta e pegamos o rumo pra Jaú. Felizmente, deu pra fazer em bem menos tempo do que da última vez (no tempo normal, diga-se de passagem) e eu e a Amanda chegamos na capital do calçado feminino a tempo de um pegar um lanchão de vaca no Casarão.
Mesmo com as horas perdidas na estrada, acabei descansando tudo o que eu precisava. Assisti três filmes de grandes diretores que admiro (Morangos Silvestres, Cafe Society e Eraserhead, todos muito bons, classificados aqui em ordem decrescente), joguei um pouco de Wii, li várias hqs importadas em comemoração ao Batman Day (comemorado no sábado, com batsinal na Av. Paulista e tudo), cochilei sempre que pude, e comi muita salada e diferentes docinhos caseiros com meus pais.
Sábado a noite fomos visitar o Raul, o filho do Gustinho. Incrível como cada vez ele parece mais adulto, o que não é uma grande surpresa se considerarmos que o próprio pai dele parece cada vez mais idoso (:b).
Pequena curiosidade: quando éramos jovens e estávamos só eu e o Gustinho (diminutivo de Agostinho) conhecendo alguma pessoa nova, a conversa ocasionalmente fluía assim:
 Eu sou o Gust.
 Eu sou o Gustinho.
 Não somos parentes.
 Nem dupla sertaneja.
Mesmo aqui no blog muitas vezes eu chamo ele de Sustinho, só pra não causar essa confusão em visitantes desavisados.
Na casa dele, pedimos iFood e descobrimos que existe uma rede secreta de restaurantes jauenses de garagem que só existe através do aplicativo. E lá tem até comida mexicana!
No domingo, fui com aManda no Paris3, novo açougue gourmet toppzera da cidade e comprei uma costelinha pra fazer pro almoço.Demorou absurdamente mais do que eu esperava no forno, mas gostei do resultado. O gosto ficou show, e teve até batatas assadas cobertas de molho de gorgonzola pra acompanhar. Great Success!

terça-feira, setembro 24, 2019

A minha, a sua e a nossa verdade

Na internet, é muito fácil transformar uma mentira em verdade. 
Basta escrever qualquer merda, que vai aparecer alguém que acredite. E essa ideia vai ser compartilhada e chegar em dezenas, milhares ou milhões de pessoas que também acreditam. Por mais absurda que essa ideia possa ser.
"Afinal, porque alguém iria querer ouvir a verdade, quando pode simplesmente ouvir que está certo?"
Tem gente por aí que acredita em terra plana, que não acredita em vacina. 
Tem gente disposta a acreditar em qualquer coisa. E assim fica fácil. 
Dá pra falar que não tem desmatamento não. Que a NASA tá errada, que era só uma nuvem de chuva mexendo com os resultados dos satélites.
Dá pro Frota, que já fez filme pornô gay, virar defensor dos bons costumes e falar que fez "sexo anal técnico".
Dá pro Witzel colocar no currículo que é formado em Harvard, e quando for desmentido, dizer que na verdade escreveu isso ali porque tinha a intenção de estudar lá um dia que fica por isso mesmo.
Dá pra falar que uma reforma nas leis trabalhistas que vai tirar seus direitos, vai gerar mais empregos.
Dá pra falar que o Queiroz tinha milhões inexplicados na conta porque vendia carros usados.
Dá pro Dória, que se vendia como "Bolsodória" nas eleições, dizer que nunca esteve alinhado com o governo Bolsonaro.
Dá pra falar que o nazismo é de esquerda.
Dá pra falar que foram as próprias ONGS que botaram fogo na Amazônia.
E cada um acredita no que quiser, talkey?



A lógica é um mito

Nas HQs, Lex Luthor já foi presidente. E eu lembro de pensar na época que li essas histórias: "Caralho, que roteiro merda. Quem votaria em um cara comprovadamente sujo, mentiroso e corrupto como Lex Luthor? Isso não faz o menor sentido."
Bom, eu era jovem. Não sabia que era exatamente esse o tipo de gente se elegia o tempo todo. Primeiro, porque pessoas realmente boas não entram pra política. E segundo, porque é muito fácil manipular a população. 
Eu queria de verdade poder acreditar que foram idiotas que elegeram Bolsonaro. 
Infelizmente esse não foi o caso. 
Foram amigos próximos, parentes e conhecidos. 
Foi gente cega por uma estratégia de ódio muito bem construída contra o Lula e o PT. 
Foram rebanhos de religiosos que obedeceram cegamente seus pastores.
Milhões de pessoas com boas intenções.
Claro que pra qualquer um com um mínimo de juízo crítico era fácil perceber que o "messias" era um imbecil (que em poucos meses já soltou mais pérolas que a Dilma), preconceituoso (tem dezenas de vídeos provando isso, com os mais variados preconceitos) e obviamente tão corrupto quanto qualquer outro político (tem filho que tem laranja desaparecido, filho que foi indicado pra embaixador assim que atingiu a idade mínima pro cargo, filho que tem dezenas de funcionários fantasmas inexplicados, amigos milicianos, etc). 

Mas se existe algo mais forte que a lógica é o ódio. 
E as pessoas aprenderam a odiar o Lula como se fosse a encarnação do próprio diabo (sério, circularam vídeos por aí dizendo exatamente isso e que o "messias" era abençoado e estava vindo pra salvar o país).
Me parecia obvio que qualquer pessoa com o mínimo de bom senso perceberia que Bolsonaro não era a melhor opção.
Ele veio do Rio, o estado em que os governadores dos últimos 20 anos foram presos.
Mas ele não era o Lula. Não era do PT.  
Ele já estava em carreira política há quase duas décadas e nunca fez nada que prestasse.
Mas ele não era o Lula. Não era do PT.  
Como se não fosse muito perigoso um estado laico ter alguém tão próximo de extremistas religiosos, como Edir Macedo (que teve a pachorra de bancar duas autobiografias no cinema) a Damares (que afirmou no currículo ter um mestrado concedido por Deus).
Mas ele não era o Lula. 
Não era do PT.  
E assim, um maluco foi eleito pra presidente, tendo como maior (e único) triunfo não ser o Lula.
E de lá pra cá, dia após dia perdemos cada vez mais.
Perdemos direitos com a reforma da previdência.
Estudantes perderam bolsas.
Viramos piada e motivo de vergonha internacional.
Pessoas honestas que perderam empregos por dizer a verdade.
Florestas queimaram e países estrangeiros pararam de mandar dinheiro pra preservação.
Fundos eleitorais foram aprovados.
O preço do dólar fica cada vez mais alto.
Centenas de agrotóxicos proibidos no mundo todo foram liberados.
Tudo parece estar pior do que jamais foi...mas milhares de pessoas continuam batendo palma e gritando "mito". 
Achando que está tudo bem. Afinal, pelo menos nos livramos do Lula. E do PT. 

terça-feira, setembro 17, 2019

Bodas de Papel em Monte Verde

Nesse final de semana, eu e a Amanda comemoramos um ano de casados! Pois é, o tempo voa. E pra celebrar nossas bodas de papel, viajamos pra Monte Verde! Supostamente são "só" 168km de São Paulo até lá, mas esse lance de quilometragem funciona de um jeito diferente em Minas Gerais. Saímos da garagem perto das 20h e só chegamos na pousada que era nosso destino mais de 23h30, depois de uma infinidade de curvas a 40km/h. Encontramos meus pais (que também estavam hospedados no mesmo local) e logo já saímos conhecer o primeiro restaurante da cidade, uma pizzaria bem legal que ficava a poucos metros de distância da pousada Varanda dos Colibris.
No sábado de manhã, entregaram nosso café da manhã na porta do quarto, o que é bem legal, já que faz com que você se sinta ainda mais em casa. Depois fomos pra principal rua da cidade (que chama Av. Monte Verde) e contratamos um passeio com um guia muito gente fina chamado Mastreangelo ("como a tartaruga ninja", conforme disse uma vendedora) que nos levou conhecer os principais pontos turísticos locais. Começamos com uma trilha de 40min até a Pedra Redonda.São "só" 900m, mas eu já comentei que a metragem funciona de um jeito diferente em Minas, né? 
No trecho final tem uma subida acentuada que exige um pouco de esforço, mas vale a pena já que no topo você tem uma das melhores vistas aéreas da região, a uma altitude de 1950 metros. Tiramos várias fotos lá em cima, e depois de recuperar o fôlego, tomamos uma limonada e voltamos pra caminhonete do nosso guia (que nos acompanhou até mesmo durante a subida). 
Visitamos uma lojinha de licores e doces, uma charcutaria (onde compramos umas carnes incríveis), passamos por umas pousadas pitorescas (tem uma que tem um quarto dentro de um avião e outra que parece um castelo), fomos até uma fábrica de chocolates e a um lugar que eles chamam de aeroporto, que na verdade é só um terreno grande, cercado por uns muros com pichações muito instagramáveis. Acabou valendo bastante a pena contratar o guia, já que entre cada lugar tem muita subida na terra (e eu odeio fazer rampa), e o preço é bastante justo. Fora que contratamos 3h de passeio, mas acabamos fazendo em quatro.
Voltando pra cidade, paramos na Casa do Foundue pra almoçar umas trutas (a Amanda preferiu estrogonofe, que também estava muito bom), demos uma voltinha pelas lojas do centro e depois, eu e a Amanda fizemos uma visita à Fritz Cervejaria Artesanal. Não é exatamente um grande passeio (entramos na cervejaria, mas só vemos as máquinas de longe), mas o "Sr. Fritz" (também conhecido como Jörg Franz Schwabe) é muito simpático e manja muito do negócio. Fora que ainda ganhamos duas cervejas pra levar pra casa! 
Saindo de lá, reencontramos meus pais e paramos na Dona Mucama pra jantar o famoso rodízio de foundue da cidade. O lugar era bem legal, comemos muito pão com queijo derretido, diversas carnes com diferentes molhinhos e muita fruta com chocolate.  Quando chegamos "em casa", ainda tinha uma garrafa de vinho, chocolates e uma banheira de hidromassagem (que fazia uma quantidade monstruosa de espuma) nos esperando.
No domingo de manhã, eu e a Amanda tomamos rapidão o café da manhã e corremos pro centro, onde tínhamos agendado um passeio de quadriciclo. Um cara de moto nos guiou até o local onde fizemos um mini test drive pra ficarmos a vontade com o negócio. Depois, revezando a direção, dirigimos cerca de uma hora numa trilha de terra que tinha várias subidas e descidas, com uma vista bem legal das montanhas. 
Gostei bastante da experiência! Eu que nunca pude dirigir uma moto, finalmente pude entender porque as pessoas gostam tanto de sair fazer trilha. Achei o veículo perfeito pra fazer rampa sem dificuldade! Saímos de lá cobertos de terra e bem cansados (a direção e freio são bem duros), mas com certeza foi uma diversão que valeu demais a pena! Voltamos pra pousada, pra tirar o pó e fazer o check-out, depois encontramos meus pais (que tinham saído pra missa) e fomos com eles almoçar no Pucci, um restaurante italiano muito bacana, onde comemos filet com gorgonzola, macarrão e sopa de palmito. Saindo de lá, demos uma última voltinha pela cidade e paramos no Toco pra comer um foundue maravilhoso de chocolate com morango e tomar café. E dali, pegamos a estrada de volta pra São Paulo (meus pais continuaram zanzando por Monte Verde, já que minha mãe é incansável). E assim celebramos nossas primeiras bodas, que venham muitas outras! =)
Ah, fato interessante: se você acha que o nome da cidade vem do fato dela ficar entre várias montanhas verdejantes, está redondamente enganado! Na verdade, o nome vem do seu fundador, Verner Grinberg ("green berg", "monte verde"). O lugar costumava servir apenas pra pastos e criação de gado, e não costumava ter nenhuma árvore! Todo o processo de reflorestamento  na verdade é bastante recente. Aí sim fomos surpreendidos novamente!

terça-feira, setembro 10, 2019

Todos somos conservados em banha

Jau esse final de semana parecia ficar a uns 3.000 km de distância. Acho que fizemos as piores viagens mais complicadas desde que comecei a dirigir nesse trajeto. Na sexta, dia de uma greve surpresa dos ônibus na cidade e rodízio de placas liberado, achei que saindo de casa as 17h30 ia conseguir chegar em casa mais cedo. Ledo engano, demoramos mais de uma hora só pra sair da cidade. Pegamos estrada parada por conta de acidente e tudo mais e fomos chegar mais de 23h.
Sábado de manhã, tomei café da manhã com meus pais (que tinham uma geladeira cheia de produtos mineiros da visita ao meu irmão no final de semana anterior), ouvi uns discos e li um pouco. No almoço, eles fizeram até uma salada com batata yukon e carne de porco conservada na gordura, que foi cozinhada na própria banha e deixou a casa com o maravilhoso cheiro do Polaco. E olha, eu que não sou o maior fã de leitoa do mundo, acho que foi a melhor carne desse tipo que já comi na vida. Depois, rolou rodízio de sobremesas (manjar de côco, goiabada, doce de leite e banana assada) e mais tarde, aManda foi pra casa da vó dela e eu fui pro shopping encontrar o Guto. Voltei pra casa antes das 18h, tirei um cochilo e assisti a ultima bizarrice do Lars Von Trier, o filme "A casa que Jack construiu", pesadíssimo porém original, como de costume. Mais tarde, comi uma maravilhosa pizza de aliche com meus pais e minha tia Fátima, que também estava em casa e perto das 21h levei a Amanda tomar uma caipirinha no Rei.
Domingo, depois de mais uns quadrinhos e cafés, fomos pra um churrasco na casa do Frodo, que na verdade era uma entrega coletiva supresa dos convites dos padrinhos. Ganhamos uma caixinha que tinha uma mensagem personalizada e deu pra perceber o suor escorrendo dos olhos de muita gente. São quase 20 anos de amizade e vai ser do caralho estar ao lado deles no altar. Infelizmente, tive que brindar com schweppes e cerveja sem álcool, mas espero até novembro, no grande dia deles, eu possa estar em forma de novo. Nem estava com muita fome, já que tinha até petiscado em casa, mas fizeram um carneiro coberto com queijo (cheese sheep) que não dava pra recusar. Perto das 17h voltamos pra casa, pra tomar um café e buscar minha tia, que voltou conosco pra SP.  O que eu não esperava é que mais uma vez a estrada estivesse ridiculamente cheia e parada, fazendo com que a gente chegasse em casa perto das 23h, somando no total mais de 10h de sofrência no final de semana. As vezes vejo pessoas postando que maratonaram uma série da netflix de 10 episódios no fds e me pergunto: "Como é possível?" Bom, parece que a resposta é simples: basta você não perder todo esse tempo na estrada. De qualquer forma, não tem distância que não valha a pena quando se tem família, novidades culinárias e amigos como as que nós temos nos esperando do outro lado. Como de costume, valeu muito a pena. Entretanto, continuamos no aguardo da invenção das máquinas de teleporte. Ou dos drones pessoais de vôo. Ou dos carros inteligentes que dirigem sozinhos.

quarta-feira, setembro 04, 2019

Escrito e dirigido por Quentin Tarantino

Nessa sexta, saí do trabalho e fui pro shopping Eldorado encontrar a Amanda no cinema pra gente assistir "Era uma vez...em Hollywood", o novo filme do Tarantino. No meio da seção, um maluco bêbado começou a gritar e a se levantar, chacoalhando uma garrafa de vidro, que no escuro não dava pra saber se era de whisky ou vodka. Logo várias pessoas começaram a se levantar e a sair e comecei a gritar pro lanterninha pausar a merda do filme enquanto a confusão rolava. O cara não quis sair com educação, e precisaram chamar um segurança do shopping pra retirá-lo da sala  e, como um bom babaca, ele saiu  praguejando: "Vocês não podem fazer isso, eu paguei, tenho meus direitos!". Um lanterninha me garantiu que ao final da sessão, todo mundo receberia vouchers (ingressos grátis) pra voltar outro dia, podendo escolher qualquer filme e horário. Problema resolvido, o filme continuou rolando como se nada tivesse acontecido. Como se eu não tivesse perdido uns 10/15min. O filme acabou, as pessoas começaram a ir embora e nada de cumprirem a promessa. Fiz questão de cobrar o lanterninha e depois de muuuita demora  finalmente nos entregaram dois novos ingressos. Ou seja, os caras do cinema deram um jeitinho pra diminuir o prejuízo deles. Quem não esperou ficou sem. E só eu e Amanda esperamos... ¯\_(ツ)_/¯  Anyway, eu não tenho muito do que reclamar e nosso próximo filme já está garantido!
Sábado fomos buscar uma TV no conserto e acabamos perdendo a manhã toda. Fomos uma vez e o técnico não estava, na segunda vez pegamos o aparelho mas não nos entregaram a tomada. Só depois de voltar pela terceira vez da Santa Efigênia, tivemos nosso problema resolvido. Depois disso, só saímos de casa a noitinha pra comer uma comida árabe no Mr. Bean Laden, lá no calçadão urbanóide. 
No domingo de manhã, acompanhei aManda até um consultório que entre a puta-que-o-paril e o lugar onde Judas perdeu as botas. Foi quase uma viagem, mas pelo menos la perto tem um "mercado vencedor" (o famoso "vencidinho"), que tem vários produtos baratíssimos, que na verdade nem estão tão próximos do vencimento assim. Existem poucos lugares onde uma paçoquinha da yoki custa míseros 0,05 centavos a unidade, e acho que esse provavelmente é o único na linha temporal de 2019. Depois, passei a maior parte da tarde jogando Borderlands 2 com o Frodo (que joguinho viciante no multiplayer, passamos quase 4h diretas em Pandora!), e depois fechei o domingo na companhia da Amanda, duma pizza quatro queijos e da segunda temporada de American Gods.