quinta-feira, agosto 06, 2026

A Bruxa

Ultimamente, do nada, o Rafa me puxa pela mão com urgência, sussurrando: "A bruxa! A bruxa!". Ele me leva até o quarto para nos escondermos debaixo das cobertas. Normalmente, traz junto o Pete Mau (Mickey Mouse), o Pá (Taz), o pato Dona (ld), a entidade "Seu Lobato" (um sítio de brinquedo que ele recheou de pequenos bonecos e carrega por aí como se fosse uma coisa só), algum dinossauro e, talvez, alguns carrinhos. Às vezes, até a Luna. E ali ficamos, nos escondendo da bruxa, dando risadas e brincando com as sombras, com ele aninhado no meu peito.

"Esconde! Esconde!", ele diz, se eu tento ensaiar uma saída.

Coincidentemente, a bruxa sempre aparece quando tenho alguma reunião, estou distraído no celular ou acabei de abrir um gibi para ler. A bruxa é a forma do Rafa dizer que precisa de mim exatamente naquele momento. E, bom... é uma bruxa, não é? Quem sou eu para negar a urgência disso e não sair correndo com ele para debaixo dos cobertores?

Em Watchmen, um dos meus quadrinhos favoritos, Alan Moore fez o herói Ozymandias criar um monstro alienígena falso para unir todas as nações da Terra contra um inimigo comum. Com apenas dois anos e meio, meu filho teve exatamente a mesma ideia — mas com o nobre intuito de nos unir.

A bruxa é o remédio que ele inventou para curar qualquer distração minha. O nosso botão de emergência. Tem como não amar esse garoto?

O mais bonito disso tudo é que, no saldo final, ele realmente conseguiu me deixar com medo da bruxa. Medo de um dia ela não aparecer mais. O medo do dia em que ele não fará mais questão da minha companhia o tempo todo, do dia em que não precisará mais me ter por perto.

Que a bruxa então continue nos assombrando por muito, muito tempo. E que esse dia demore a chegar. 

segunda-feira, maio 12, 2025

A vó

 Nesse dia das mães, me peguei pensando na minha vó e no quanto ela foi uma segunda mãe pra mim. Quando eu era criança, passava tanto tempo na casa dela que meus amigos (o Foggy, que na época a gente ainda chamava de Jão e o Gustinho, que ainda chamava Tiago) tinham até o telefone da casa dela caso precisassem falar comigo. 

A casa dela era minha segunda casa e eu adorava passar meu tempo por lá depois da escola. A casa era enorme, tinha o maior banheiro que já vi na vida até hoje (caso minha memória de criança não esteja me enganando), tinha uma pia no meio da copa (que me faz lembrar de lavar as mãos com frequencia desde sempre) e um quintal gigantesco com uma mesa de pedra no meio (que nunca era usada pra festas, a unica vez me lembro de usa-la foi pra subir enquanto fugia de um cachoro da minha tia). 

Lá o sinal da tv aberta era melhor, então lembro que até pra ver Batman Animated ou Cavaleiros do Zodíaco a casa da minha vó era melhor. E o controle da tv era acoplado na televisão, o que eu achava o ser o ápice da tecnologia. 

Quando chovia, minha vó sempre fazia bolinho de chuva. Então eu até torcia pelo mal tempo.

Também sempre tinha chocolate, mesmo que esse ficasse escondido no armário do quarto dos meus avós, trancado com uma chave de pé de coelho (que eu nunca descobri se era de um coelho de verdade ou não). No quarto também tinha um toca-fitas, mas não lembro dos meus avós ouvindo música. Eles usavam sempre pra colocar uma fita de relaxamento que os ajudava a pegar no sono.

Minhas tias "da capital" também viviam por lá, então eu sempre podia ver um filme em VHS de algo que não era próprio pra minha idade (como Jurassica Park) com minha tia Fátima ou ficar acordado até tarde pra ver Jô Soares com a tia Cristina. 

Além disso, a casa tinha um ar meio mágico. Talvez por conta dos cofres espalhados (sério, cofres de pirata mesmo, com uns 2 metros de comprimento por uns 80cm de altura, dá pra imaginar o que isso faz com a cabeça de uma criança?), talvez por conta do quarto do tio ausente que ficava sempre fechado e era área proibida. Ou então porque a noite as vezes a gente ouvia pessoas pulando no quintal lateral, que tinha uma bananeira enorme, o que me fazia até ter um certo medo de ir ao banheiro durante a noite.

Minha vó gostava de fazer palavras cruzadas, que ela comprava na banca da rodoviária. Lembro que alguns dos meus primeiros gibis foram comprados naquele lugar, não só Cebolinha, Tio Patinhas ou Senninha, mas também meus primeiros gibis em formato americano dos X-Men, daquela mini do Claremont com o Jim Lee (que ano passado consegui autografar na CCXP!).E eu tinha até umas gavetas nos móveis da casa, pra guardar meus gibis e meu esqueleto de tiranossauro que brilhava no escuro. 

A minha vó também estava sempre rezando. E a cada ano que passa, minha mãe fica cada vez mais parecida com minha vó.

Minha vó e meu avô também estavam presentes em cada apresentação de piano, de ballet, natação, flauta, formatura ou o que quer que fosse, minha ou dos meus irmãos. E uma das coisas que mais lembro da gente fazer é subir a rampa do teatro da Fundação, chegando mais cedo que qualquer um, pra guardar lugar na primeira fileira. Não sei como eles aguentavam, as apresentações eram tão chatas que uma vez eu mesmo dormi nos bastidores, antes de me apresentar, enquanto ouvia os outros e esperava minha vez de tocar teclado.

Almoçar na casa dos meus avós no domingo era sagrado. Praticamente uma continuação da missa que minha mãe ainda me obrigava a frequentar. E quase sempre o almoço era alguma massa (rondeli, conchilione ou algo assim). Nos dias bons, uma leitoa ou torta caseira de frango. Mas durante a semana também era bom, porque alem de bife, lá a Clarisse sempre fazia batat frita.

Eu sempre errava/trocava no interruptor as luzes da cozinha e da sala. Até um dia que a Cristina soltou um "Cuzinha! Cuzinha! O cu fica embaixo!". Depois dessa eu nunca mais errei.

A casa da minha avó era uma mansão. Tinha janelas grandes, uma verdadeira floresta ao fundo, com árvores de jabuticaba e se minha memória não estiver me enganando, até umas uvas no caminho pra garagem (durante algum tempo). Tinha uma escadaria na frente, uma sacada de onde meu vô passava boa parte do tempo vendo a cidade e uma bela biblioteca. Não sei qual era a coleção de que fazia parte, mas minhas histórias favoritas estavam em um livro que tinha uns quadrinhos curtos do Condorito, um personagem que só depois fui descobrir que era chileno e foi publicado pela primeira vez em 1949.

Uma vez, em um aniversário que fiz numa edicula (de 18 anos talvez?), minha vó estava conversando com a Maria e chorou ao lembrar da primeira vez que me segurou quando eu nasci. Ela falou com tanto carinho, que nunca me esqueci dessa cena.

Quando ela estava prestes a morrer, minha vó passou vários dias entubada na Santa Casa, com um problema pulmonar. No meio desse período, eu estava assistindo Smallvile uma noite e ligaram do hospital dizendo que ela estava melhor. Fomos pro hospital, só eu e minha mãe. Fazia dias que a gente só via ela entubada. Minha vó abriu um sorriso e comentou do quanto estava feliz por eu ter vindo vê-la. 

Minha vó não tinha melhorado e depois que saímos, foi entubada novamente. Se eu fosse um pouquinho mais religioso, talvez até acreditasse que foi só porque eu rezei pra poder ver ela bem de novo que essa janela de oportunidade acabou aparecendo. Essa foi a última vez que falei com ela.

Hoje a casa da minha vó existe mais, as coisas que tinham lá dentro (inclusive as coleções de livro que eu adorava e a televisão com controle embutido) foram saqueadas por drogados e a construção foi demolida (pra que os drogados finalmente parassem de invadir). O lugar que eu amava virou um pedaço de nada no mundo real, mas continua existindo "exatamente" do jeito que era no terreno da minha memória.

Sempre que minha mãe lembra ou fala sobre a minha vó ela chora. O que é compreensível, já que quando minha vó faleceu, minha mãe perdeu sua melhor amiga.  

Eu geralmente não penso muito sobre minha vó. Tento evitar. Se eu paro pra fazer isso, acabo chorando também.


segunda-feira, março 17, 2025

Baby steps

Esses dias o Rafa começou a andar.

Foi só fazer seu primeiro aniversario de um ano, que do nada, ele que só engatinhava começou a se levantar, cambalear alguns passinhos e de repente ja estava andando. No começo parecia um bebado, equilibrando sua pança e seu cabeção enorme de bebê. Depois com mais certa graça, e precisando cada vez menos de apoio. Essa bundinha magra dele é o melhor airbag que já vi em funcionamento. 

Ele nem chora quando cai. E nunca desiste. Isso é o que o mais admiro. O quanto sem nunca ter lido um livro de autoajuda na vida, sem nem ter noção do que é ser brasileiro, ele não desiste jamais. E a cada pequeno passo, a cada pequena conquista, eu me encho de satisfação. 

Acho que pela primeira vez aprendi o que é ficar feliz de verdade com o sucesso de outra pessoa. Sou tão egoísta que não consigo nem torcer pra um time de futebol. Nunca senti que as vitórias ou derrotas de qualquer time seriam minhas. Mas é só o Rafa aprender a usar um canudo pela primeira vez que meus olhos se enchem de lágrimas. 

Eu amo demais esse moleque. 

Esse sorriso banguela que tem cada vez mais dentes. 

Esse cabelo maluco que forma curvas nas pontas, exatamente o meu de quando eu era bebê. 

O sorriso dele ainda vem do fundo da alma, é totalmente puro e sincero. Tão sincero que pode vir dos motivos mais banais, como eu encher minha barriga de ar e soltar ou simplesmente chegar em casa depois de um dia fora no trabalho. 

Por isso eu também vivo tentando dar pra ele experiências que ele não poderia ter sozinho. Por exemplo, bebes não sabem pular. Então eu pego ele no colo e fico pulando. Ou correndo pelo corredor. Ou engatinho também, pra ver quem engatinha mais depressa. 

E cada gargalhada que ele me dá, é uma vitória. Uma vitória mais minha que dele.

quinta-feira, junho 13, 2024

Skydiving

Talvez as pessoas estranhem porque eu tenho postado tão pouco aqui com algo tão grande quanto a chegada do meu filho ter acontecido recentemente e com isso eu ter tanta coisa nova pra contar. Acontece que é muito difícil pensar em algo pra escrever quando se está em queda livre. A paternidade lembra muito um salto de paraquedas. Começa com a subida do avião...demorada, que te faz pensar em todas as escolhas que te levaram até aquele momento e que parece que nunca vai terminar. Aí vem o parto, quando não tem mais volta e o instrutor praticamente te empurra pra fora do avião. Aquele momento de choque, em que você sabe que algo novo está pra começar. Daí em diante, não tem muita coisa que se possa fazer a não ser aproveitar a adrenalina da queda. Tudo começa a acontecer muito rápido, a paisagem simplesmente passa por você sem que seja possível prestar atenção nela, o medo já foi embora, e a única certeza que você tem é  que está passando por uma experiência incrível e inexplicável, com o vento batendo na cara e um sorriso no rosto, torcendo que pra que esse momento (inevitavelmente passageiro, como todo o resto) nunca termine...

quarta-feira, abril 10, 2024

Rafa-El, o Superbaby!

 A palavra “El” em hebraico é um dos nomes de “Deus”. Muitas vezes é um sufixo em nomes angelicais (como “Gabriel”, que significa “força de Deus”, ou “Michael”, que significa “quem é como Deus”).O nome Rafael tem origem na expressão hebraica «refa`el», que significa «Deus curou».

Mas...pra mim principalmente, claro que o nome tem um significado mais ligado aos quadrinhos.

Em Krypton, o nome de nascimento do Superman é Kal-El, e seu nome significa que ele é Kal da Casa de El. Em kryptoniano, “El” significa “Criança” e “Kal” significa “estrela”. Portanto, o nome Kal-El significa “Filho das Estrelas” ou “Criança das Estrelas”. Dessa forma, Rafa-El, seria a criança Rafa, da "casa" do Superman, nosso querido Superbaby!

sábado, março 16, 2024

É uma pena...

É uma pena mas você não vai se lembrar de tudo que sua mãe passou pra que você estivesse aqui hoje. 

É uma pena mas você não vai se lembrar, de como a pressão dela subiu, de como ela ficou com dores na coluna semelhantes as de uma hérnia e não podia tomar remédios, pois isso podia afetar sua gestação, nem de como as mãos delas doíam tanto que ela mal podia segurar um copo e ainda assim tentou trabalhar até o último instante.

É uma pena mas você não vai se lembrar de tudo que ela estudou, de todos os vídeos que assistiu e médicos que consultou pra que estivesse completamente pronta pra sua chegada.

É uma pena mas você não vai se lembrar do risco que ela tinha de pré-eclâmpsia, colocando a própria vida em risco pra que você pudesse nascer.

É uma pena mas você não vai se lembrar do medo que ela tinha da anestesia, que saía de uma agulha daquelas que parecem saídas de filmes de terror. Nem do quanto ela tentava parecer calma enquanto as médicas abriam a barriga dela cessaria nem do quanto ela ainda tentou parecer plena pras fotos e pra quem estava assistindo, tendo até se maquiado pra estar em sua melhor forma quando você chegasse.

É uma pena mas você não vai se lembrar de como no seu primeiro mês de vida ela passou praticamente cada segundo da vida dela, acordada ou dormindo, preocupada com você. 

É uma pena mas você não vai se lembrar de todas as vezes, a cada 2h ou 3h, que ela acordou no meio da noite, pra te dar o peito, um reforço de suplemento na mamadeira se você continuasse com fome e ainda te deixar uns minutos de pé, pro leite não voltar.

É uma pena mas você não vai se lembrar de como ela dormiu mal durante muitas e muitas noites, privada do sono e da paciência, só pra que você ficasse maior e mais forte a cada dia.

É uma pena mas você não vai se lembrar de como era difícil fazer cocô e ela tinha que te massagear todos os dias pra te ajudar a evacuar e depois ainda te dava banho e trocava suas fraldas, as vezes até no escuro, pra não te acordar.

É uma pena mas você não vai se lembrar do que ela conversava com você de madrugada, enquanto seu sono não chegava, com você no colo e a Luna nos pés (e aqui eu nem vou poder te ajudar, já que na maior parte das vezes ela acordava sozinha, então eu nem sei o que vocês conversavam).

É uma pena mas você não vai se lembrar de todo o carinho e dedicação incondicional que recebeu, e é realmente uma pena que ninguém se lembre. 

Então que esse pequeno texto seja um lembrete, pra que você se lembre de ser grato, e pra que eu também nunca me esqueça.

terça-feira, março 05, 2024

E eis que surge um novo herói na nossa história...

Ninguém envelhece mais. Seja por conta dos avanços na cirurgia plástica ou por cuidados excessivos nas mãos de pais superprotetores, a maior parte dos adultos hoje em dia não passam de mentes adolescentes presas a corpos decrépitos. Provavelmente é culpa do marketing. Nostalgia é a emoção mais fácil de se vender. Dá um quentinho no coração saber que vai haver uma nova temporada daquele que era seu desenho favorito da infância (Xmen 97, que continua de onde a animação de 92 parou estreia agora em março no Disney+) ou poder completar aquela coleção de bonequinhos que você só via na mão do seu vizinho rico (toda a coleção do He-Man vem sendo relançada recentemente, nos mesmos moldes da coleção dos anos 80). Ou seja, se viver no passado, seja jogando Atari ou maratonando os filmes do Stallone no streaming está mais fácil do que nunca,  então quem, em sã consciência, escolheria crescer e virar adulto?

O problema é que um dia a ficha cai (provavelmente junto com o seu cabelo) e você percebe que não vai viver pra sempre. Como diria a Pitty, não deixe nada pra semana que vem, que semana que vem pode nem chegar. Então é melhor não postergar tanto seus planos. Foi com essa consciência (e obviamente, com um empurrãozinho da Amanda, que já era adulta desde que nasceu), que decidimos que era a hora de ter um filho. Li uma vez o Adam Sandler falou pro Chris Pratt que não era pra ele esperar muito pra ter filhos, porque cada dia que ele esperava era um dia a menos que o filho dele teria um pai. Faz sentido, se você esperar até os 50 pra ter um bebê, é provável que não aproveite muita coisa da vida dele.

Enfim, tendo consciência ou não da própria mortalidade, ainda foi muito difícil pra mim começar a pensar em mim mesmo como um adulto (e olha que eu realmente tentei, até gritei Shazam! pra ver se ajudava), então boa parte do tempo eu meio que continuei imaginando que a gente estava passando por uma gravidez na adolescência, o que leva a dúvidas comuns como: "Caramba, espera um pouco aí, um filho é uma dívida parcelada que a gente não vai quitar nunca???"

De qualquer forma, com ou sem ansiedade, pouco antes da gente mudar pra casa nova (mas já com toda papelada encaminhada antes da gente saber da notícia), descobrimos que estávamos grávidos (o que aconteceu lá no mês de julho)!

Não fizemos muito alarde durante a gravidez, porque acompanhamos de perto algumas pessoas que "perderam a entrega no meio do caminho" e vimos o efeito devastador que isso teve nelas e em suas famílias. Escolhemos revelar pra minha família só em agosto, no dia dos pais, quando visitamos meu irmão e a Isa em Campinas. O "chá de revelação" foi só um bolinho pra mim e pra Amanda (ou seja, a confeiteira do iFood foi a primeira pessoa a saber o sexo do bebê) e o "chá de fraldas/chá de beber" fizemos na casa dos meus pais só em dezembro, no finalzinho do ano, pros amigos e parentes mais próxioms. 

E eis que no dia 15/02, logo depois do carnaval, finalmente chegou a esperada data marcada pro Rafinha chegar ao mundo! A cessaria foi marcada pra quando ele chegasse em 37 semanas de gestação, levemente adiantada porque a Amanda desenvolveu pressão alta durante a gravidez (fora as dores nas costas e na mão, o que fazia com que quanto antes ele chegasse, melhor).

O parto foi realizado no no Pro Matre da Paulista, um hospital bem bacaninha que o plano da agência cobria, onde fomos muito bem atendidos e ficamos em um quarto maior que muito Ibis onde já nos hospedamos. Toda hora vinha alguma enfermeira no quarto servir alguma das 5 refeições diárias, entregar remédios ou chegar como a Amanda e o bebê estavam. Não era muito fácil se encontrar pelos corredores, que pareciam mudar de lugar como se a gente estivesse em Hogwarts, mas além do ótimo atendimento, a localização era muito boa, pertinho ali da Paulista com a Brigadeiro, a 100m de um Mcdonalds e do meu "duty free" favorito. 

Era uma quinta feira, e o Rafa chegou ao mundo as 14:47 da tarde. Eu acompanhei a Amanda de dentro da sala de cirurgia, enquanto minha mãe, minha tia Fatima, e meu irmão assistiram a boa parte do procedimento através de uma parede lateral de vidro (que lembra muito aquelas das salas de interrogatórios policiais dos filmes). 

O procedimento todo foi muito rápido. Em poucos minutos as médicas tiraram o bebê de dentro da Amanda e me passaram uma tesoura pra cortar o cordão umbilical (e só pra constar, eu não desmaiei, apesar de essa aparentemente ser uma preocupação geral...quase cortei o cordão no lugar errado, gerando um leve desespero nas médicas? talvez...mas desmaiar, não desmaiei). Falando em cordão umbilical, muito doido pensar que a gente nasce com um fio tipo um carregador na barriga e só depois que cresce vira wireless. 

O Rafa nasceu bem pequenininho (só 49cm) e assustadoramente roxo (por um segundo, meu primeiro pensamento foi que a gente teria que mudar o nome dele pra Thanos), mas logo começou a chorar e a mudar de cor, me fazendo perceber que estava tudo certo com ele. Algumas enfermeiras o pegaram pra limpa-lo, enquanto as médicas costuravam/fechavam a Amanda, tiramos várias fotos com ele ainda com a carinha toda amassada e depois aguardamos o efeito da anestesia passar. Então era isso, ainda em choque com o que tínhamos acabado de fazer, era aqui que começava um novo capítulo da nossa história. Que estreava um novo filme no nosso universo compartilhado, que era lançado um novo volume do nosso romance, que saía uma nova temporada do nosso seriado. E era assim que tinha que ser, afinal toda boa história merece ter continuação! Bem vindo ao multiverso, filhão!

Perto do final da tarde, fomos liberados pra voltar pro quarto, onde encontramos nossa pequena audiência e minha irmã, que havia acabado de se juntar a eles. Compramos flores pra Amanda e celebramos o nascimento com charutos de chocolate. Avós, tias-avós, tios e tias, todo mundo estava super contente com a chegada de um novo membro na família. E no sábado, meu pai chegou, trazendo de Jaú tambem minha tia Cristina e várias amigas da Amanda também foram nos visitar (Carol, Aline, Ana e Simone) e encheram o Rafinha de presentes.

Ficamos no hospital até domingo de manhã, quando recebemos alta depois de completar uma semana aos cuidados do hotel Pro Matre (no domingo, a Amanda já tinha sido internada, porque a pressão havia subido devido a uns estresses desnecessários), mas na quinta meu irmão e a Iza já tinham chegado pra ajudar a cuidar da Luna. Voltamos pra casa, minha família nos visitou mais uma vez antes de voltar pra capital do lanche no pão francês, e então, mais para o final do dia, realmente tinha início nossa saga como pais de primeira viagem.

No hospital, as enfermeiras eram responsáveis por trocar as fraldas e dar os banhos no Rafa. Agora que o trabalho pesado estava realmente pra começar. E a primeira lição a ser aprendida foi "Como pais de um recém-nascido, a esperança é a última que dorme"...

quinta-feira, outubro 19, 2023

O vizinho

 Ontem cheguei em casa por volta das 20h e encontrei um velhinho no elevador. 

— Está chegando do trabalho?  ele perguntou.
— Sim. — respondi. — Bom que hoje em dia é tranquilo, eu só tenho que ir presencialmente dois dias na semana.
— Ah, legal. Eu só trabalho uma vez no ano — Ele complementou, coçando sua longa barba branca, que ia até o peito.
— Isso parece bom — Respondi, tentando esconder o quanto aquele comentário tinha soado peculiar.
Então o velho tirou um celular do bolso e acendeu a tela do aparelho, exibindo a foto que havia em seu fundo de tela. 
Era ele vestido de Papai Noel, com um sorriso no rosto e um cachorro preto no colo.
Chegamos no meu andar e me despedi ainda sorrindo, me esforçando para ser o mais educado possível. Afinal, eu precisava mostrar que era um bom garoto.


quarta-feira, agosto 16, 2023

We're gonna move to a better, move to a better...Move to a better home...

 Dia 29 de julho chegou ao final "A saga da mudança". Foram meses que eu e a Amanda passamos procurando o apartamento perfeito, só pra chegar a conclusão de que o que a gente queria mesmo era um apartamento antigo de tamanho decente não morar num lançamento de 30m2, que custasse um bilhão de dólares. 

Um dia a gente estava no Maraba assistindo ao filme do Super Mario e reclamando do preço do aluguel (que seria muito melhor utilizado no pagamento de um empréstimo) e paramos numa construtora pra visitar mobiliados menores que uma casa da Barbie. Na semana seguinte, já começamos a conhecer corretores e a agendar visitas com o pessoal do quinto andar (apesar de ironicamente, a gente ter parado no quarto andar).

Apartamento encontrado, com móveis que sustentassem minha enorme coleção de quadrinhos e bugigangas, numa localização ideal entre os principais pontos de show da cidade e perto do metrô Barra Funda, começamos a procurar fundos. Passamos por vários bancos e no final foi com a ajuda do gerente da minha mãe, direto da capital do calçado feminino, que conseguimos o financiamento ideal, com os menores juros possíveis.

Então rolou toda a burocracia de assinar contratos, em bancos e cartórios, até que tudo estivesse no jeito, a antiga dona recebesse sua grana e o apartamento finalmente fosse nosso.

Com as chaves na mão (do apartamento 42, que todo bom nerd sabe que basicamente é a resposta pra pergunta "qual o significado da vida, do universo e tudo mais"), começamos a fazer dezenas de viagens de carro do apartamento velho pro antigo, a fim de transportar minha coleção, delicada e valiosa demais pra falta de cuidado dispensada pela equipe da mudança (que detonou vários dos nossos móveis no processo).

Meus pais trouxeram um pintor de paredes alienígena, minha tia trouxe um montador de móveis surdo e algumas semanas depois, chegou o dia de ver nossos móveis serem desmantelados pela equipe da mudança. E então, com a ajuda do meu irmão, terminamos de levar tudo que acumulamos nesses dez anos morando no centro, pra nossa nova residência (curiosamente localizada exatamente na saída oposta do minhocão).

Enfim, agora que tudo já está (mais ou menos) no lugar, começou a parte boa: desbravar o novo bairro, conhecendo seus restaurantes (tem uma Seven Kings a 300m de distância e um Ponto Chic bem na esquina!), shoppings, teatros, cinemas, academias, pet shops, praças (descobrimos ate que meu bisavô costumava participar de campeonatos de exibição de porcos, bem ali no Parque da Agua Branca), casas cenográficas de velho oeste e obviamente, os botecos com os melhores PFs e porções.

A gente gostava muito da Roosevelt (rolaram até umas lágrimas, minhas e da Amanda, quando tivemos que devolver as chaves pro pior zelador do mundo) e do centro (no qual passei vários dias me despedindo de meus bares, padarias e restaurantes favoritos - verdade seja dita, eu cheguei até a me despedir da Avenida Paulista, só porque ela já não estaria mais tão próxima), mas a mudança chegou na hora certa. Mudanças ainda maiores estavam a caminho...

quinta-feira, abril 13, 2023

Orelha de concha

 Na ultima vez que voltei pra Jau, um final de semana antes da Páscoa, achei que ia ficar maluco. Quando desci do carro na casa dos meus pais, o barulho da rodovia veio junto comigo, na forma de um zumbido constante no meu ouvido esquerdo. 

Basicamente, eu tinha passado o dia todo em ligações, usando um fone airpode rachado, que eu tinha acabado de comprar. Os fones chegaram na terça, derrubei o fone esquerdo no chão na quinta e na sexta usei o airpod zuado por mais de 5h seguidas. Ou seja, pedi pra dar merda. Wile E. Coyote, Inventor e gênio.

Liguei o ventilador pra dormir e o zumbido dele ajudou pelo menos a igualar o incomodo entre os dois ouvidos. Mas quando acordei e o zumbido continuou, achei de verdade que ia enlouquecer. Já tem vozes demais palpitando na minha cabeça, eu não seria capaz de aguentar um novo som me incomodando.

Felizmente, meu pai me deu um remédio (junto com a já tradicional salada de frutas matinal) e algumas horas depois, tudo voltou ao normal. 

Mas durante algumas horas senti muito medo de que a partir daquele momento eu tivesse que comer a ler quadrinhos com os carros passando zunindo na minha cabeça. Ou que eu tivesse que ir dormir dentro da turbina de um avião pra encontrar um pouco de conforto. 

Ou seja, alguns dias temos que ser gratos pelo silêncio.

quarta-feira, abril 05, 2023

A capital do congestionamento

Poucas coisas me deixam mais feliz pela manhã do que a uber ou a 99 me enviarem um taxi quando peço um carro pelo aplicativo. Isso significa que vou poder deslizar pela faixa preferencial dos ônibus, e chegar ligeiramente menos atrasado no trabalho. Afinal, como a Amanda gosta de repetir, eu sou uma daquelas pessoas que acordam cedo porque gostam de se atrasar com calma. 

Se eu estou dirigindo, acabo sempre me irritando com alguma coisa. Com a lentidão do transito, com os outros motoristas cortando minha frente, com motoqueiros levando o retrovisor.

Eu realmente admiro quem consegue dirigir nessa cidade mantendo a paciência. Pra mim é uma experiência traumatizante desde que eu era criança. Meu pai sempre teve a coragem e paciência que a cidade exige, mas sempre me lembro das discussões com minha mãe ou minha tia, dos mapas impressos que os neanderthais pré-waze tinham que carregar no carro e das infinitas voltas que a gente dava pra chegar de um lugar a outro. Era tanta volta, tanta demora, que eu sempre dormia. 

E assim, admiro quem dirige de boa por São Paulo com a mesma admiração e respeito que tenho por alguém que cospe fogo ou pula de bungee jumpee. Acho legal que existam pessoas que fazem isso, mas não tenho nenhum interesse em ser uma delas.

O Waze ajuda demais. Ele escreve certo por linhas tortas, mas sempre te leva onde você precisa e do jeito mais rápido possível, por mais que pareça não fazer sentido na hora.  Os "antigos" podem até não confiar nele, mas eu sei o quanto esse app já me ajudou. Já não basta o caos do transito, Deus me livre de ter que me preocupar também com os caminhos.

Ou seja, o transporte via carros de aplicativo pra mim são uma das maiores invenções recentes da humanidade. Graças a eles eu não tenho que me preocupar com direção, caminhos, pedintes, malabaristas, vendedores de bala, palhaços, acidentes, assaltos, motoqueiros, engolidores de espada, batidas, gasolina, zumbis da cracolândia, engarrafamentos, protestos, manutenção do automóvel, lavadores de vidro, rampas, alagamentos, buracos e os absurdos cobrados pelos estacionamentos nessa maldita metropole cinzenta.

E nos dias de sorte, nos dias realmente bons, o meu motorista tem passe livre pela preferencial, e aí é só alegria, ou como dizem por aí, "uma mão na roda".

terça-feira, fevereiro 07, 2023

A segunda pior coisa que pode te acontecer na vida...

Envelhecer é foda, né? Ok, é melhor que a alternativa, mas ainda assim...foda, né?

Fui em dois shows nessas últimas semanas que jogaram muito na minha cara o quanto eu estou envelhecendo. Sexta passada fui ver os os Backstreet boys com a Amanda. Os "boys" já viraram "men" há muito tempo, e estão na faixa dos cinquenta. 

As dancinhas ficaram um pouco patéticas e as barbas tingidas mais evidentes. Não que eu esperasse um número musical saído de RRR (minha nova indicação de filme do momento), mas eu realmente esperava mais...movimento, sabe?  A faixa etária eram mulheres de meia idade e mais velho que o público, só quem estava no palco.

Pelo menos eles ainda cantam alguma coisa. O show foi divertido e a nostalgia bateu muito forte, ainda que a maior parte dessas músicas eu só escutasse por tabela, ou no aguardo da próxima posição do Disk MTV.  Melhor que vender o ingresso que a Amanda tinha sobrando pros cambistas, que ofereceram 1/4 do valor que ela tinha pago quando comprou.

Aí sábado agora (04/02) fui num show do Paul Di Anno (o vocalista dos dois primeiros discos do Iron Maiden). Ele está com 64 anos de idade, mas por conta da saúde extremamente debilitada, infelizmente parecem ser muito mais. Ele veio pra turnê (que passa por umas 30 cidades brasileiras, diga-se de passagem) de cadeira de rodas, fazendo show com uma perna enfaixada pro alto, sem enxergar direito o público e sem aguentar até o final uma única música. 

O público abraçou a situação da forma mais compreensiva possível. Afinal, melhor um show capenga do que show nenhum, cancelado sem previsão de reposição. E sendo muito sincero, no final das contas quem faz o show é o público. E não tem no mundo uma plateia que ame o Iron Maiden mais do que os brasileiros. Se o Paul não consegue cantar, a gente canta por ele. A gente pula por ele, grita mais alto que a banda, bate cabeça enquanto pode. 

Foi o primeiro mosh ("rodinha de porrada") que eu vi onde predominavam cabelos brancos, panças de chopp, escolioses. Faz sentido. Os dois primeiros álbuns do Iron são de 80 e 81. O público se renovou até o começo dos anos 2000, e depois só se manteve. Os jovens foram ouvir outra coisa: Lady Gaga, K-Pop ou Pablo Vittar.

Enfim, o lado bom da velhice é que não é algo pelo que você tenha que passar sozinho. 

O velho no palco reflete os idosos se cotovelando na pista, que refletem o estranho que eu vejo no espelho. E enquanto a música estiver tocando, a gente faz o que pode pro show continuar.

terça-feira, janeiro 10, 2023

Virada à Paulista (tamanho família)

Nesse final de ano, depois de passar alguns dias em Jaú pra comemorar o natal (e o recesso da agência!) curtindo uns dias em casa, com sorvete di famiglia, mega drive, coxinhas da Tianinha e churrasquinho ripper, voltei no dia 28 pra São Paulo com a Manda, a Luna e meu irmão pra gente se preparar pra nossa viagem em família de final de ano.

Quinta-feira na hora do almoço, passamos buscar a namorada do meu irmão que estava chegando de Minas e logo pegamos a estrada pra Caraguatatuba.

Chegamos debaixo de chuva na cidade, mas logo pegamos a chave da casa que meus pais haviam alugado e logo começamos a nos acomodar. Meus pais chegaram, guardamos as coisas (a geladeira estava abastecida pra um mês, apesar de que só tínhamos cinco dias de estadia) e a Luna escavou e dominou os sofás. 

Saímos a noite pra tomar um sorvete na cidade na Sorveteria Wilson, onde provei aquele que talvez seja o melhor sorvete de nozes que já tomei na vida.

No dia seguinte, tomamos um cáfe da manhã "digno de resort" (como a Amanda gosta de dizer), com muitas frutas, pães, frios e chocotone, dirigimos até a Praia da Cocanha, de onde pegamos um barco pra Ilha do Tamanduá. 

E assim, sendo bem sincero, a gente tinha acabado de voltar de um cenário paradisíaco no nordeste, então eu realmente não estava esperando muito do turismo no litoral paulista. Mas meus pais realmente são especialistas quando o assunto é praia, e acabamos visitando uns lugares incríveis, com uma água esverdeada que não deixa nada a dever pro Alagoas. Na ida pra ilha, até ganhei uma heineken do outro casal que dividiu lancha com a gente. Comemos umas porçoes legais (coisa que não rola quando estou só eu e a Manda, já que ela não come nada que sai do mar) e depois voltamos em um barco só nosso. A noite, meus pais saíram dar uma volta e ficamos jogando Viticulture (um jogo de tabuleiro tão interessante, quanto complexo).

Dia 31 ficamos mais perto da casa alugada, ali entre Massaguaçu e Cocanha. Essa praia tinha mais cara de Guarujá, com mais gente, vendedores ambulantes, caixinhas de som tocando funk e tudo o mais, mas tivemos um dia bem agradável sob a sombra de uma árvore gigante, na companhia de caipirinhas e bolinhos de camarão. Fiquei até chateado de não ter levado a Luna pra praia esse dia. A noite fizemos churrasco e depois fomos pra praia (levando até com a Luna!) ver os shows de fogos de artifício e brindar a chegada do novo ano.

Dia primeiro, acabou calhando de ser o dia do melhor passeio! Fizemos um passeio de barco que passava por diversas ilhas (Praia Mansa, Praia da Lagoa e um retorno a Ilha do Tamandua), todas praticamente desertas, com mar calmo e azul e clima perfeito. O barqueiro ainda levava stand up, caiaque e máscara de mergulho (tudo incluso no valor do passeio). Então deu até pra andar de caiaque e tomar uns tombos no stand up. Fora que conheci a máscara de mergulho perfeita, que cobre o rosto todo e pela primeira vez não me irritei com água entrando pelo nariz e pela boca enquanto eu tentava mergulhar. Além disso, pagamos por 3h, mas fizemos 5h de passeio, ou seja, sucesso! Na volta, paramos pra jantar no Caiçara's, um dos restaurantes mais legais da região e ainda aproveitei pra comemorar meu aniversário de namoro com a Amanda com um prato de comida japonesa (algo impossível de se fazer quando estamos só nós dois, já que praticamente tudo que se vende num restaurante japonês vem do mar). Um dia incrível, que marcou um ótimo começo de ano e fechou o passeio com chave de ouro.

Um fato interessante é que a maioria das pessoas que foram pra Caragua reclamaram bastante da chuva, que a gente praticamente nem sentiu! Minha mãe estava preparada com uma caixa de ovos e muita fé em Santa Clara, e pegamos sol todos os dias! Sério, minha mãe é tão próxima da Santa Clara, que quando o padre da Fundação não quer chuva, ele manda whatsapp pra minha mãe, ao invés de falar direto com a santa! E essa é uma habilidade muito útil em dias de praia, pegamos tanto sol que eu até consegui queimar os braços em uma calma tarde de mormaço. 

Claro que nem tudo são flores, e no final alguma coisa ruim tinha que acontecer. Logo que pegamos a estrada pra voltar pra São Paulo por volta das 11h do dia seguinte, quebrou a embreagem do meu carro e fiquei parado com a Manda, a Luna e um colega do trabalho e sua namorada (que escolheram o pior dia do mundo pra pedir carona) durante horas na Tamoios. O carro parou bem no meio de um túnel, então ficamos mais de 2h30 esperando o guincho da rodovia, sem sinal de internet, como homens das cavernas. 

Meu único contato com o mundo era o botão vermelho de emergência. Esse guincho levou a gente até um posto ali perto, onde o taxista do seguro já estava no aguardo. O problema é que ele só ia sair quando o guincho da Allianz chegasse. E ele não chegava nunca. Esperamos por 4h e nada. Sendo que havia uma fila de 5 guinchos particulares simplesmente parados esperando serviço bem ali no posto. A Amanda entrou no posto full pistola com a Allianz por telefone, em uma ligação de quase 1h, até que finalmente conseguimos com que eles liberassem que a gente contratasse um guincho particular dizendo que depois nos fariam um reembolso. Voltei com o motorista do guincho pra SP a 60km/h, chegando em casa mais de 21h da noite. Mas tudo bem, pelo menos o problema aconteceu na volta e deu pra aproveitar bastante nossos dias em Caraguá.


quarta-feira, dezembro 21, 2022

Quando o segundo sol chegar...

Caramba, esse ano passou voando! Com tanta coisa acontecendo no trabalho, e a vida, com seus shows, eventos e churrascos voltando ao normal, eu mal parei pra escrever. Na verdade, mal tive tempo de ler. Ainda bem que leitura é uma necessidade básica que combina muito bem com, bom, outra necessidade fisiológica muito básica. Mas não queria que o ano acabasse sem que eu comentasse um pouquinho pelo menos da viagem pra Maceió que fiz com a Amanda em novembro. Foi uma semaninha intensa, em que conhecemos muitos lugares incríveis e diferentes, que valem a pena a recordação, não só em imagens, mas também em palavras.

Fomos pra lá dia 22 de novembro, saindo de São Paulo umas 15h e chegando em Alagoas perto das 19h. Correu tudo bem com o voo, mas o transfer que havíamos contratado pra nos levar do aeroporto pro hotel foi mega cansativo e demorou quase o mesmo tempo do percurso do voo. Chegamos acabados, deixamos as coisas no quarto e descemos pro restaurante ali do Ibis mesmo e eu tava com a cabeça tão longe que derrubei o primeiro chopp que o garçom trouxe e pedi um lanche de consume. Consume era uma sopa, nem era um lanche de verdade, apesar de estar do lado do xsalada no cardápio e eu me senti tão otário de descobrir isso na hora que acabei nem pedindo mais nada.

Felizmente, no dia seguinte, já tinhamos um passeio agendado e a viagem finalmente começou a fazer sentido. Fomos pra tradicional praia do frances, um lugar bonito porem lotado demais (tanto de turistas, quanto de vendedores ambulantes). Boa parte da praia está cercada por uma barreira de corais, que durante a maré baixa faz com que a praia se pareça com uma piscina de tão tranquila. Já deu pra pular no mar, que mal tinha ondas, e tomar uns bons drinks no abacaxi na barraca do grande Clenion. Um nome difícil de esquecer, já que no dia seguinte a gente realmente estava indo ver um canyon.

Na quinta feira, madrugamos pra pegar o busão da excursão, que passou pouco depois das 5h da manhã nos buscar no hotel. A viagem seria longa, mas com certeza valeria a pena. Localizado no sertão à 300km de Maceió, na divisa de Piranhas-AL com Canindé do São Francisco-SE, o passeio do dia consistia em visitar a cidade histórica de Piranhas, cidade a qual foi palco de diversos combates entre o bando de Lampião e as autoridades nordestinas. Dali pegamos um catamarã, que navegou entre os paredões de rochas do rio São Francisco. E como se a vista dos canyos já fosse incrível, ela ainda conta com um banho ali no rio, em uma grande piscina natural (cercada por redes artificiais), onde todos podem descer do barco e nadar bem no meio de umas das paisagens mais bonitas que já vi na vida. Voltamos de barco até a cidade mais próxima, petiscamos alguma coisa num restaurante ali perto e voltamos pra capital, num trajeto que levou cerca de 5h. Pra mim, viajar de onibus é  muito tranquilo. Ele começa a andar, eu começo a dormir. Simples assim. Mas pra Amanda, que passa o tempo todo acordada é um suplício. E isso nos fez desistir do outro passeio mais longo que havíamos planejado, no qual iríamos até Porto de Galinhas. Nesse dia rolou o primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo, mas foi enquanto a gente ainda estava no ônibus e eu estava dormindo.

Na sexta, era hora de finalmente conhecer Maragogi, "o caribe brasileiro", que era desde o começo um dos principais focos da nossa viagem. Outro lugar inesquecível. Nenhuma foto faz juz a beleza do lugar. O azul esverdeado da água, em contraste com as pedras é tão bonito que parece até artificial. Tanto que quando fomos assistir "Avatar: O caminho da água", a primeira coisa que pensei quando eles chegam la na tribo dos corais foi "caralho, eles fugiram pra Maragogi!). As piscinas naturais são incríveis e a grande dica do dia é: leve seu próprio pão. Os fotógrafos usam bolinhos de pão molhado pra atrair os peixes, então se você estiver sem isso (ou sem um fotógrafo!), você até vai poder curtir a paisagem, mas não vai conseguir um contato mais próximo com a vida marinha, que é grande parte da atração. 

Sábado fomos pra praia do Gunga, outro destino famoso ali perto da cidade, onde o ponto alto foi o passeio de quadriciclo. Eu já tinha dirigido quadriciclos antes (em Monte Verde e Natal, por exemplo), mas nunca em uma estrada como essa, que começa com uma trilha na sombra de centenas de palmeiras e desemboca em uma praia, que de um lado tem um mar azul-piscina e do outro enormes falésias, cenário do filme "Paraísos Artificiais". O único problema da praia (e de Maceio como um todo) era o sol. Parecia que alguem tinha aumentado a intensidade dele. A piada dos guias, inclusive, é que na cidade existe um sol pra cada habitante. Pra quem é turista, a sensação é de que são pelo menos uns três. Estava tão quente que mal conseguimos pisar na areia e acabei comprando uma camiseta com proteção UV porque fiquei cansado de tanto ter que retocar o protetor solar. Voltando pra Maceio, paramos no Cheiro da Terra, um restaurante incrível que descobrimos próximo do hotel, onde provei o tradicional "chiclete de camarão" e a Amanda pegou um prato bem bom também de carne de sol na nata.

Já no domingo, foi dia de conhecer São Miguel dos Milagres, mais um destino da Costa dos Corais. Passamos de buggy conhecer o santo que deu nome à cidade (que veio por conta de uma estátua de madeira de São Miguel Arcanjo que foi encontrada por um pescador, que o curou/ou sua mulher, dependendo de quem conta a história, de um problema de saúde; a fama desse milagre concedido pelo santo se espalhou e alterou o nome do povoado), paramos em uma praia quase deserta, com mar tão calmo que realmente mais parecia piscina mesmo e em seguida pegamos um barquinho até as famosas piscinas naturais da praia do Patacho, tão bonitas e coloridas quanto as de Maragogi. Ali fiz o melhor mergulho de snorkel do passeio, onde consegui ver uma variedade bem maior de peixes, já que a região parece ser menos explorada e denifitivamente tinha menos turistas e fotógrafos oportunistas por perto.

Segunda-feira, decidimos tirar o dia pra descansar direito, já que a gente mal tinha parado desde que havíamos chegado. Finalmente tivemos tempo pra tomar o café da manhã do hotel (que era cobrado a parte, mas muito honesto) e dar uma volta pelas lojinhas da cidade. A seleção jogou a 13h da tarde, então sentamos no Cheiro da terra (nosso novo restaurante local favorito) pra tomar uns frozens e comer alguma coisa enquanto assistimos o jogo. O Brasil ganhou, a comida estava ótima e o frozen de maracujá excelente. A noite saimos comer uma pizza e assim tivemos nosso dia mais tranquilo da viagem.

Terça de manhã saímos dar uma volta ali na praia mais próxima do hotel mesmo, na praia de Pajuçara, fizemos o check out, deixamos nossas coisas na portaria e  tomei um chopp de saideira acompanhado de uma porção de dadinho de tapioca com carne de sol. Pegamos o voo no início da noite, e só porque a Amanda tem medo de voar, pegamos a pior turbulência que eu já experimentei. O avião tremeu o tempo todo, pra ajudar eu estava sem fone de ouvido pra assistir a alguma coisa no celular e o único jogo que eu baixado era Pokemon TCG pro emulador de gameboy, mas muita leitura 8bit enquanto sua cadeira está tremendo não é nada agradável. Felizmente chegamos bem em São Paulo, eu ainda estava de férias e na quinta-feira já era dia de Comic Con!

quarta-feira, maio 11, 2022

O show da vida

No último sábado de abril fui no meu primeiro show internacional pós pandemia. Foi minha primeira vez na pista premium (afinal, não tenho mais idade pra ficar me matando pra chegar perto do palco) e não poderia ser com uma banda melhor, the hottest band in the world: KISS. 

E mais, na sua turnê de despedida! É incrível o quanto estar mais perto da banda aprimora a experiência (e ainda bem que não descobri isso antes, senão estaria bem mais pobre). Ok, beleza que de qualquer lugar do estádio você pode sentir o clima maravilhoso de dezenas de milhares de pessoas cantando a mesma música em uníssono, que cria uma energia única que chega a arrepiar. Mas, ver seus ídolos de perto, ocasionalmente te olhando nos olhos, é outra coisa.

Na área premium tinha até maquiadores fazendo as pinturas da banda direto na pele da galera que tivesse saco pra ficar na fila! Ou seja, por muito pouco eu não voltei pra casa pintado como o Paul Stanely! Mas acabei me contentando em levar de lembrança só as máscaras de papel que estavam distribuindo também (peguei uma de cada membro do grupo!), coleção que um dia eu pretendo enquadrar pra exibir no meu porão/biblioteca/sala de jogos.

O KISS tocou as mesmas músicas de sempre, hinos que eu já ouvi tantas vezes que até já saíram das minhas playlists mais recentes por ja ter enjoado de tanto escutá-los, mas caramba, é incrível o quanto os caras são bons no que fazem. É show demais! (por mais que essa palavra esteja mais desgastada do que nunca hoje em dia). Uma  baita experiência que renova o espírito e te preenche de ânimo! 

Me senti uns 20 anos mais jovem, ao ver aquele quarteto de idoso de cara pintada tocando seus clássicos pra mais de 60 mil pessoas no estádio, cuspindo sangue, passando voando por cima de mim com suas botas de salto alto e soltando labaredas gigantes de fogo, cujo calor dessa vez chegava até a esquentar minha cara! 

Teve muita pirotecnia, bolas gigantes voando por cima da galera e chuva de papel picado. Ou seja, tudo aquilo que eu sempre KISS!

E eis que duas semanas depois, numa terça feira já chegava a vez de eu ver, mais uma vez na premium, o Metallica

Confesso que essa foi uma banda que eu demorei pra começar a gostar (razão inclusive de essa ter sido a primeira vez que eu fui ver a banda ao vivo). Quando eu era mais novo, achava o som pesado demais pro meu gosto. Acontece que enquanto o tempo passava e o rock deixava de ser pop, as músicas novas disponíveis iam acabando, então o que me restava era recorrer a musicas e principalmente bandas antigas que já existiam. E foi assim, através de um gosto adquirido com o tempo, que me tornei parte da Metallica Family. 

Greta Van Fleet ser a banda de abertura ajudou no incentivo da comprar o ingresso, e por um tempo eu até cheguei a pensar que talvez eu fosse gostar mais do show deles do que da própria atração principal. Mas eu não podia estar mais enganado! Por mais que Greta seja sensacional, não deu nem pro cheiro (até porque eles se concentraram mais em músicas do último CD, que não me empolgou tanto quanto os dois primeiros e fizeram um show bem mais sem graça do que da última vez que vi a banda em São Paulo, numa Lolla party).

Ver o Metallica ao vivo é coisa de outro mundo, que até fez com que eu me questionasse se eu não curtia tanto a banda simplesmente por nunca tê-los visto e ouvido ao vivo antes. Os caras mandam muito! 

E o pior é que som ao vivo nem é tão pesado assim, apesar de o tempo todo, as ondas de mosh ao meu redor tentarem me convencer do contrário. Na verdade, tenho até que agradecer os moshs (as famosas "rodinhas punk"), que mais ajudaram do que atrapalharam. Foi graças a eles que eu e o Gui (meu amigo que tinha vindo de Botucatu pro show) conseguimos chegar praticamente na grade do palco. Aproveitando o embalo do empurra-empurra e das cotoveladas, a cada música que acabava, chegávamos mais perto da banda. 

O show começou com uma cena de "O bom, o mau e o feio", um dos meus faroestes favoritos, só fazendo com que eu me identificasse ainda mais com a banda. E depois de uma sequência de "Whiplash", "Ride the lighting" e "fuel" eu só faltava tatuar Metallica na testa. Que experiência foda! 

Por um lado, fiquei até feliz de ter "guardado pra depois dos 30" uma banda desse nível. Além disso, sem dúvida alguma o Gustt do colegial que habita em mim pirou quando escutou e viu, ali pertinho do palco, "Enter the sandman" sendo tocada ao vivo.


Setlist do KISS:

Detroit Rock City

Shout It Out Loud

Deuce

War Machine

Heaven's on Fire

I Love It Loud(Gene breathes fire)

Say Yeah

Cold Gin

Guitar Solo (Tommy Thayer)

Lick It Up 

Calling Dr. Love

Tears Are Falling

Psycho Circus

100,000 Years

God of Thunder

Love Gun

I Was Made for Lovin' You

Black Diamond

Beth

Do You Love Me

Rock and Roll All Nite


Setlist do Metallica:

Whiplash

Ride the Lightning

Fuel

Seek & Destroy

Holier Than Thou

One

Sad but True

Dirty Window

No Leaf Clover

For Whom the Bell Tolls

Creeping Death

Welcome Home (Sanitarium)

Master of Puppets

Bis:

Spit Out the Bone

Nothing Else Matters

Enter Sandman

quarta-feira, março 30, 2022

É tudo ficção!

 Esses dias me peguei pensando no porque eu gosto tanto de super-heróis. Olhei pra minha estante abarrotada de gibis, livros e bonecos e me perguntei porque diabos eu gastei tanto tempo e dinheiro na vida com essa merda.

Então comecei a pensar nas outras coisas pelas quais as pessoas vivem e no que investem seu tempo. 

Deus, religião em geral, política, democracia, amor, riqueza. E a conclusão que cheguei é de que, se você realmente parar pra pensar, no final das contas é tudo ficção. 

E as pessoas vivem e morrem por ficção o tempo todo. Lutam por países desenhados por linhas imaginárias e passam vidas inteiras lutando pra ganhar dinheiro, que por sua vez também não passa de mais uma invenção humana. 

A principal diferença daquilo que reconhecemos como ficção e todo o resto é que nesse caso existe um consenso unânime do que é real ou não. 

Ou seja, ficção científica, super-heróis e fantasia em geral são na verdade o meio mais honesto, transparente e verdadeiro que existe.

Quando tudo é ficção, nada poderia ser mais sincero do que o meio que leva esse título no próprio nome.

Viva o surreal, o absurdo e o bizarro! Viva o sonho!



quarta-feira, março 16, 2022

Apocalipse utópico

Ok, eu admito. Sou o último ser humano da face da terra que continua acompanhando The Walking Dead depois de 11 temporadas. Mesmo depois da série de TV ter abandonado os principais personagens dos quadrinhos e alterado outros tantos. 

Acontece que volta e meia ainda aparece uma boa ideia por ali.

No episódio que assisti ontem, por exemplo, muitos anos após a praga zumbi ter se espalhado pelo mundo, depois de todos já terem se acostumado a ter deixado pra trás seus antigos empregos pra virarem matadores de errantes, ferreiros e fazendeiros em tempo integral, nosso grupo de sobreviventes chegou a uma comunidade que de alguma forma manteve a mesma estrutura social do mundo pré apocalipse zumbi. 

Tipo, os zumbis ainda estão a espreita, mas ainda existem advogados, faxineiros, basicamente, castas sociais que permitem que ainda exista gente que diz coisas do tipo "você sabe com quem está falando?". Tem até gente usando terno! Basicamente, pessoas agem como se fossem melhores que as outras, independente do mundo ter ido pro espaço.

Em qualquer filme de zumbi, a primeira coisa que acontece é a implantação natural do comunismo. As pessoas dividem igualmente as tarefas, os bens e os alimentos, afinal, estão todos na mesma situação de merda. Tem um ou outro filho da puta, mas na ficção eles geralmente são minoria.

Nessa comunidade de TWD não. Nesse lugar, tão parecido com o mundo real que é assustador, não tem essa putaria de comunismo apocalíptico não. É cada um por si, e eu na sua frente porque sou melhor que você!

E é muito triste ver que é exatamente assim que o mundo real funciona. Tem um vírus mortal se espalhando pelo mundo? Foda-se. Dilúvio? Foda-se. Terceira guerra mundial? Foda-se. Contanto que eu esteja bem, o resto do mundo que se exploda.

As pessoas não vão se tornar melhores por causa disso. O mundo esteja acabando e continuo trabalhando pra vender carros de luxo. Ainda tenho que usar calças. Ainda tenho que pegar metrô lotado pra estar em um lugar fazendo as mesmas coisas que eu poderia fazer de casa, gastando mais grana e perdendo mais tempo. 

A evolução é uma mentira. O bem comum é ficção. Nem adianta nem torcer pelo meteoro galera, qualquer coisa que sobre não tem salvação.

quarta-feira, fevereiro 23, 2022

A origem do coronavírus

Muita gente acredita que a epidemia de coronavírus começou na cidade de Wuhan, na China, em dezembro de 2019, e de lá rapidamente se espalhou para o mundo. As principais teorias levantadas incluem o contato entre um ser humano e um animal infectado e um acidente em um laboratório na China. 

A OMS divulgou um relatório de 120 páginas, desenvolvido por cientistas da China e de outras partes do mundo, que reforçou a origem natural da epidemia. A tese mais aceita diz que o vírus passou do morcego para um mamífero intermediário, e dele para o ser humano. 

Mas tudo isso é fake news.

O que nem todo mundo sabe é que na verdade quem criou o corona foi a Amanda, minha esposa. 

Cansada de me ver chegando tarde em casa depois de sair pra happy hours com meus amigos pós-trabalho e de toda semana eu querer ir pra alguma pré-estreia no cinema no meio da semana, a Dra. Almeida usou os conhecimentos que aprendeu na faculdade que cursou no Japão para desenvolver a arma definitiva contra a boemia: o coronavírus.

Corona significa coroa. Ou seja, o próprio nome já entrega que o objetivo final desse agente patológico é acabar com toda forma de juventude, transformando todas as pessoas do mundo em idosos tristes sem vida social!

Falando sério agora, a Amanda odeia que eu divulgue isso (o que por si só já é meio suspeito), mas como eu tenho poucas oportunidades de contar essa história no bar, tinha que pelo menos postar por aqui mesmo, só pra que fique registrado pra posteridade.

quinta-feira, fevereiro 17, 2022

Rain

 Alguns dias eu me pergunto...será que o fim do mundo chegou? Como se não bastassem milhões de pessoas estarem morrendo por conta de uma nova gripe, agora tem gente morrendo por causa de chuva!

Já são mais de 110 mortos em Petrópolis, uma cidade incrível que onde eu tive o prazer de passar um reveillon junto com minha família há alguns anos atrás. 

Não é muito absurdo isso? Não dá mais nem pra ficar de boa com o que antes costumava ser só...chuva. 

Também não consigo me conformar com as pessoas que simplesmente preferem não acreditar no que está acontecendo. Tem gente (parente meu até!) que não acredita na letalidade do vírus até hoje. 

Quando deu o dilúviu em Jaú, uma galera logo procurou culpados além das forças da natureza. Culparam usinas de terem abrido suas comportas, como se esse não fosse um problema que estivesse atingindo diversas outras cidades pelo país. É como se a cabeça de umas pessoas simplesmente não conseguissem aceitar os tempos que estamos vivendo. O argumento dessas é pessoas é que não poderia ser só chuva, afinal isso nunca aconteceu antes. Como se a falta de histórico justificasse alguma coisa. Parece que é  mais fácil simplesmente viver em negação.

Pra mim a a palavra que mais define essa década em que estamos é apatia (o que é irônico, já que é a primeira palavra da abertura do desenho Batman do Futuro, lançado em 1999). 

Eu até aceito que tudo pode acontecer, mas sinto uma enorme apatia com relação ao futuro, essa total falta de motivação perante a situação, acompanhada de  desgaste físico, inércia e letargia. 

E sinto que está todo mundo assim. Todo mundo ta indo em psicólogo. Ninguém mais faz planos a longo prazo, ninguém parece estar completamente feliz. 

Dá pra ver como isso reflete no próprio entretenimento, em filmes cada vez mais escuros e dramáticos. Já repararam por exemplo que ninguém nem se atreve  mais a lançar uma nova comédia? Qual foi a última sitcom que você acompanhou? Duvido que tenha sido algo lançado recentemente. 

É como se ninguém mais nem tivesse coragem de tentar fazer os outros rirem. 

Enfim, já que é pra chover, que a tempestade traga alguma esperança de renovação, como já dizia minha música favorita do Creed...

I feel it's gonna rain like this for days
So let it rain down and wash everything away
I hope that tomorrow the sun will shine
With every tomorrow comes another life...




sexta-feira, fevereiro 04, 2022

Waterworld

 Em janeiro, por conta de termos pego covid e pelo preço da viagem de São Paulo a Jau estar se aproximando cada vez mais do custo de uma viagem a Dubai, eu e a Amanda (com a Luna babando no banco de trás, como sempre) voltamos uma única vez pra Jaú.

E claro que bem nesse final de semana ia acontecer o grande dilúvio. Chegamos sexta, junto com a chuva, e praticamente não parou de cair água do céu até domingo a tarde. Sério, não me lembro de ter visto uma frequência tão alta de chuva na cidade. A cidade deve ter sentido o mesmo.

Conseguimos aproveitar bem nossa estadia: comemos pizza de parma com meus pais, provamos praticamente todos os tipos de pão doce que uma nova padaria de congelados recém-aberta na cidade tem a oferecer, assistimos uns filminhos legais, visitamos o Gustinho, onde provamos o delivery do Rosbife marombeiro (que tem um franguinho frito show e uma costelinha boa demais!) e comemoramos atrasado o aniversário da Amanda (teve até bolo!). E assim que percebemos que a chuva não ia dar trégua, decidimos sair logo depois do almoço de domingo pra São Paulo, chegando aqui junto com as notícias de que Jaú tinha quase virado Atlântida. 

A cidade foi tomada pela água, com o rio transbordando de um jeito como nunca havia acontecido e alagando de barro várias casas, comércios e restaurantes. 

Poucas horas depois a água já tinha baixado, mas o estrago foi grande. Muita gente perdeu seus bens no meio da desgraça, parede desabaram e teve até um idoso que perdeu a vida. Tudo isso fora a terra que invadiu as casas, que mesmo pra quem não foi tão afetado, deve ser tão fácil de limpar quanto de se esquecer uma tragédia desse tamanho.