quinta-feira, setembro 17, 2015

Jab! Jab! Direto!

Durante minhas férias e a eterna busca de encontrar novas coisas pra fazer e aprender, acabei chegando por dica do Kev a um lugar incrível e com a mensalidade do tamanho do meu bolso: um clube de boxe no Carrão. 

Uma academia muito bem montada por sinal, com uns cinco sacos (com diferentes pesos), duas bolinhas, todas as cordas, espelhos e pneus que um aspirante a lutador pode precisar e até um ringue! 

E o melhor de tudo, é que tem um professor muito gente boa e dedicado. No primeiro dia, ele pareceu meio marrento e assustador. Eu e o Kev chegamos lá com nossas carteirinhas e exames médicos do clube e ele olhou feio e falou "tem que trazer exame médico de fora, daqui não posso aceitar, porque já deu problema. Um cara morreu ano passado treinando aqui". Ficamos sem fala durante algum tempo, processando a intimidação, até que decidi perguntar "morreu como?" E eis que o professor responde "correndo, era um velho de 75 anos que queria treinar como se tivesse 25". ¬¬

Respiramos aliviados e fomos atrás de novos atestados. "Pode ser até falso mesmo" - disse o professor, enquanto saíamos.

E é assim que no último mês eu tenho ido pelo menos três vezes por dia treinar jabs e cruzados e suar (muito!) em busca de me tornar um lutador de boxe de verdade! O professor, que no começo parecia marrento, na verdade é muito gente fina e tem realmente vontade de ensinar. Ele tem paixão pelo esporte, não nega novos alunos e realmente demonstra acreditar que o boxe é pra todos. 

O cara um dos melhores professores que já tive, e tenho curtido de verdade as aulas. A academia fica só a meia horinha de metrô, e ainda me dá a chance de correr no clube (ou seja, não preciso esperar a noite cair e a vontade também pra ir pro minhocão).

Já comprei até um par de luvas, depois de descobrir que esse é o tipo de coisa que você não deve emprestar de ou para ninguém. Na primeira vez que usei luvas emprestadas saí com um "chulé de mão" tão forte, mas tão forte, que parecia que eu tinha masturbado um mendigo. Bom, resumindo: boxe é do caralho e eu quero é ROCKY!


quarta-feira, setembro 16, 2015

FDSemana Gastronômico

Meus pais vieram pra SP esse final de semana, ou seja, hora de comer bem em lugares que não costumamos frequentar. 

Sábado eu e a Manda fomos encontrar minha mãe (meu pai estava num evento da APM) no shopping Higienópolis (que só visitamos quando eles vem pra cá) e acabamos indo de McDonalds mesmo. Passei mal graças a um início de gripe, mas pelo menos deu pra dar um rolet geral e conhecer a coleção de bonecos do novo filme de Star Wars. Saindo de lá, me entupi de remédios e dormi muitas horas pra tentar me recuperar.

Ainda com a cabeça meio zonza, jantamos deliciosas pizzas salgadas no "Gato que ri" (vizinho do segundo apartamento que dividi com a Amanda) e depois pra sobremesa fomos comer pizza de chocolate com morango na Bella Antonia (pois é bro, meses depois e nossa sista ainda não superou a pizza de maçã com canela), pizzaria vizinha do primeiro apê no qual dividi meu pequeno fundo com a Manda.

Domingo de manhã, já acordei melhor. Meus pais nos visitaram e meu pai mais uma vez atuou como faz-tudo, colocando uma tela de proteção na lavanderia e suporte pra cortina no quarto de visitas. No almoço, fomos conhecer o Roperto (com p mesmo), uma cantina italiana macanuda do Bixiga (onde comemos uma ótima lasanha). E saindo de lá, fomos conhecer a Confeitaria Dama e suas mil folhas (contei menos) de creme, doce de leite e bombas de café (a Manda gostou tanto que comeu até o grão de enfeite =b).

quarta-feira, setembro 09, 2015

O feriado do binge-watching

O que fazer num feriado chuvoso com pouca grana no bolso? Parte do novo fenômeno mundial: o binge-watching! Nunca fui fã de maratonas, tenho défct de atenção e ficar mais de 20min em uma só série costumava ser um suplício. Mas graças ao Netflix (que retira todas as dificuldades do download ilegal como ter que procurar por episódios, downloads decentes e legendas) podemos desfrutar de temporadas inteiras facilmente. As maratonas (que nos canais a cabo se tornavam cansativas graças ao excesso de comerciais) vieram pra ficar, e com elas surgiu a expressão "to binge-watch" que significa “assistir de uma vez só" e se origina de binge, que no inglês indica uma ação de consumo em excesso, de fazer muita coisa num curto espaço de tempo. 

E foi assim que em um final de semana, eu e a Manda (que é mais adepta dessa moda do que eu) terminamos a primeira (e excelente) temporada de Narcos e já estamos quase matando a segunda temporada de Hannibal.

E aí está outra vez eu mordendo a língua. Eu costumava ser contra transformar filmes em séries. Afinal, pra que assistir uma série se eu já sei o final da história? Spartacus calou minha boca. O seriado era muito bom, e depois de quatro temporadas, acabou comigo querendo mais.

E mesmo já tendo assistido aos quatro filmes do Sr. Lecter e curtido demais todos, num primeiro momento eu fiquei contra a série. Mais uma vez eu estava enganado. Um personagem bom e uma boa trama conseguem durar diversas temporadas sem problema algum e os detalhes acrescentados pra fazer a história fluir são deliciosos: os pratos que ele cozinha com carne humana são lindos e dão água na boca, as cenas do crime que ele pinta são foda demais e os próprios joguinhos mentais psiquiátricos entre os personagens são muito bem elaborados. Sendo assim, que venham Fargo, Pânico e muitas outras!

No mais, foi uma boa semana. Engarrafamento e cervejinha com o Ed na segunda, uns litrões com o pessoal do Mackenzie na quarta, livrinho do Mutarelli pego na biblioteca (Nada me Faltará, kapsa), aulas de boxe quase todo dia, caminhada com a Manda, Very e o Vyc no domingo (primeira vez que a mandalena anda até o final do minhocão, só pela força da fofoca) e no dia do feriado ainda conhecemos a ótima sorveteria da Bologna na Augusta. Great Success!

Exemplo de uma cena de crime em Hannibal:

terça-feira, setembro 01, 2015

Mestre Cervejeiro

Quarta-feira retrasada fiz mais uma das coisinhas que tinha programado pras férias, mas que acabou sendo adiado por questões de agendamento: um curso de mestre cervejio! 
Nada mais justo do que conhecer o processo de fabricação de minha bebida favorita, e porque não, tentar até reproduzi-lo algum dia (depois que os materiais necessários e ingredientes forem adquiridos, é claro)?

Fui junto com o Ed Carona, conhecer os fundos de um bar perto de meu antigo ambiente de trabalho na ESPN. Chegamos as 19h e a aula, muito produtiva por sinal, terminou só depois de 23h30.

O professor é um show a parte, meio marinheiro Popeye misturado com Dr. House, o velho putão e boca suja, que dá aula enquanto vira vários copos de birita, solta pérolas como "Se eu tivesse que usar luva, parava de fazer" ou "Puta que pariu, claro que precisa dessa merda! Se quiser jogar rapadura ou queijo branco depois joga". 

E nada melhor do que isso pra te convencer de que "se ele consegue, eu também consigo". Sério, produzir essa bebida dos Deuses é muito mais fácil do que parece! Praticamente um cafézão!

Modo de preparo segundo minha memória:

1. Moer o malte (não muito grosso nem muito fino)
2. Botar pra ferver em um panelão de 10L entre 65 e 70 graus por 50min usando um "filtro esparadrapo"
3. Testar o iodo
4. Filtrar em baldes (tirando o filtro da panela e passando pros baldes) e ir renovando o líquido da panela
5. Jogar o fermento, cor e gosto e botar pra ferver a 100 graus por mais 50 min
6. Tirar do fogo e botar o panelão pra esfriar numa bacia grande com gelo (fica bom a hora que o bagulho do meio já tiver descido - ou desaparecido da superfície, não estiver mais saindo fumaça e a água não estiver quente)
7. Passar pra outro recipiente só o líquido.
8. Botar o bagulhinho na tampa do recipiente pra ver se está tudo ok com o nível alcoolico
9. Deixar o recipiente de boas por uns 10 dias.
10. Abrir o recipiente e jogar uns 100 ml do que sair primeiro fora.
11. Encher uma garrafa de 600ml.
12. Jogar um saquinho de 5g de açúcar.
13. Fechar com tampa a garrafa e garantir que a tampa não gire.
14. Aguardar mais 20 dias
15. Abrir e se divertir!

Nessa segunda voltei lá fazer os passos 10 e em diante. Fiquei realmente animado com a possibilidade de produzir minha própria cerveja. Só tem um único porém. O mesmo limitador de sempre: grana. 

Comprar todos os materiais (e principalmente os ingredientes) não fica barato, então talvez eu precise juntar um caixa antes de começar a brincar com isso. Do jeito que o preço da cerveja (principalmente cerveja boa) tem subido ultimamente, talvez seja a única opção. :)

O velho General, culinária jauense e a tropa do Escobar

Sexta eu e a Manda voltamos pra Jau, e sábado pela manhã já estavamos na estrada novamente, a caminho de Bauru pra ela renovar a CNH. Muito bom saber que tem coisas como o Poupa-Tempo que funcionam, e me senti bem a vontade dirigindo na estrada e dentro de Bauru, o que é sempre bom também.

Almocei com meus pais no Zezinho, tirei um cochilo, li um pouco, assisti qualquer coisa na Netflix. Tomei uma cerveja com meu pai, jantei um x-bacon dos Stannis com a Manda, e a noite, depois de umas caipirinhas do rei, fomos pro grande evento do final de semana: uma balada no General. Sim, não estamos mais em 2002, mas foi pra lá que nós fomos graças a uns convites na faixa que o Foggy descolou. Tinha até vodka a vonts

Chegamos "cedo" (meia noite e pouco) e foi meio triste ver só crianças juvenis ao redor enquanto banda nenhuma começava. Me senti velho demais pra esse tipo de coisa, o que é um sentimento que não curto muito. Mas pouco depois o Foggy chegou e já me senti um pouco melhor. Acho que nunca frequentei o General pelo que ele era, pelas bandas ou pela bebida, mas sim pelos amigos que sabia que encontraria por lá. O que deixa tudo mais triste ainda: o bar é o mesmo de uma década atrás, mas meus amigos (ou não) agora estão dispersos por aí e não sei mais onde encontrá-los. 

De qualquer forma, foi uma noite diferente, e parte de mim se sentiu mais jovem por chegar as três da manhã em casa e portar um novo cartão (que é igualzinho aos antigos) do General no bolso.

No domingo, almoçamos o delicioso peixe à indiana no ìtalo, cochilei, jantei com a Manda um copo (kapsa) de mini coxinhas e um pão de mel trufado da doceria Renata (clássico). E junto com meus pais, fechamos a noite curtindo a estreia da nova série "Narcos" (que é realmente do caralho, bem no esquema "Tropa de Elite", como já era esperado e uma puta aula de história sobre a Colômbia). 

segunda-feira, agosto 24, 2015

Vivendo, desenhando e aprendendo

Sexta feira foi um dia diferente. Ao caminhar pelo Shopping Cidade São Paulo (novo shopping da Paulista) procurando algo pra almoçar, encontrei uma exposição montada pra campanha de lançamento de uma nova série da HBO chamada "O hipnotizador". E lá tinha uma coisa que eu queria muito provar desde que fiquei sabendo que abriria uma casa de diversão dessas em SP: uma escape room. Uma sala onde cheia de pistas, onde você fica trancado e tem um tempo (10min no caso da amostra do shopping) pra tentar descobrir uma senha e se libertar. E é legal pra caralho (ainda mais de graça!)! Segue um pedaço da sala na foto ao lado (tipo, não vem nada fácil ou fica indicado brilhando diferente como num jogo de video game, o negócio é foda mesmo e eu não consegui sair rs). Ainda tirei uma foto num fundo verde e ganhei uma montagem (muito bem feita, por sinal), onde parece que o tal hipnotizador da série está te levitando. Show de almoço! Mal sabia eu que pouco depois veria minha vida levitando realmente na mão de estranhos. Anyway, pouco depois saí de lá e fui encontrar a Manda e algumas amigas do curso de pós dela na Chopperia Opção, atrás do Masp, que eu sempre tinha visto mas nunca visitado (e que é kapsa na verdade, nada demais). Saindo de lá, comemos numa feirinha um crepe de calabresa e cream cheese e depois churros de nutella deliciosos!

Sábado de manhã, fui no centro cultural dos correios conferir uma palestra do Adão Iturrusgarai (criador do Homem-Legenda), famosos por suas tirinhas de jornal. Almocei hot dogs com a Manda, passamos o dia assistindo os incríveis últimos episódios da sétima temporada de Doctor who (Moffat + Matt Smith S2) e passamos no mercado secreto Avanhandava pra comprar coisas pra jantar lanches de mortadela.

No domingo de manhã, corri até o Sesc Pompeia tentar me inscrever numa oficina de quadrinhos ministrada pelo mestre Lourenço Mutarelli, mas assim que botei o pé na sala de inscrição anunciaram que as vagas estavam esgotadas. A Manda fez macarrão com frango no almoço e foundue caseiro com frutas. A tarde, passei quase três horas curtindo um workshop com o Adão (em breve posto as tirinhas que nasceram lá, do Psiquiatra Tubarão - Shark Shrink) que é gente fina pra caramba e até autografou meu moleskine!  A noite, eu e a Manda fomos jantar na Aqueropita (provei o delicioso macarrão e um abacaxi no espeto de chocolate) e pude até dar uns tiros com uma espingarda de rolha (a arma com a qual faltava eu brincar nas férias, obviamente desregulada pra que eu não ganhasse prêmio nenhum), e na volta ainda curtimos o estranhamento com o novo Doutor na oitava temporada de Doctor Who.

Isso tudo sem contar que na quarta eu fiz um curso de mestre cervejeiro, mas esse post é mais complexo então fica pra próxima! :)

segunda-feira, agosto 17, 2015

Férias em Jahu

Como a Manda ia passar o dia todo trabalhando mesmo, passei minha última semana de férias em Jaú, aproveitando tudo que a capital do calçado feminino tem a aproveitar de melhor: corridas na avenida a qualquer hora do dia, almoços da Maria (arroz feijão, virado de milho e bife acebolado), jantas fora com meus pais, botei minha lista da Netflix em dia, e dei uns rolets rippers.

Na segunda feira, continuei colocando minha leitura em dia, e a noite até rolou repeteco da cozinha mexicana caseira.Terça usei o ipad pra aprender a jogar Magic: the gathering (afinal, eu ja tinha nessas férias treinado esgrima e arco e flecha, faltava me tornar um mago), assisti o lixo que é o último filme do quarteto fantástico (baixado mesmo, porque não merece o ingresso, crítica abaixo) e saí tomar umas cervejas com o Guto. Jantamos um lanche excepcional nos Stannis e em seguida, conhecemos um bar onde o preço da cerveja ainda é incrivelmente justo (uns 5 reais o litrão de subzero). Eles também servem espetinhos, ficam ali na Av. do Shopping e como toda a cidade pode te ver por ali, acabamos até tomando uma cerveja junto com antigo ripper desaparecido Tata, que passava de moto por ali. Benefícios de uma cidade pequena =]

Na quarta, cortei o cabelo na nova barbearia pop e badalada de Jaú (impossível achar um horário sem fila, mas é realmente bom e barato), e a noite fui com meus pais curtir a noite da meia na Cachaçaria, onde toda quarta as coisas saem por metade do preço (ou seja, o preço justo) e chegando em casa assistimos ao excelente filme "Ex-machina" (que tem um final realmente surpreendente).
Quinta-feira li um livrinho curto e sensacional do Gaiman sobre Doctor Who chamado "Nothing O´Clock", que faz parte de uma coleção chamada 12 Doctors. E a noite saí mais uma vez pra um rolet ripper com o Gutão. O espetinho estava tão lotado que não conseguimos lugar, o beco estava tão caro (oito reais a cerveja) que estava desanimando, então acabamos parando no Viracopos (um de meus bares favoritos da cidade e que bar mais legal pra tomar umas com um piloto?), pra tomar uns litrões baratões, porções de calabresa a dezlão, e uma incrível porção de salsicha em conserva pela bagatela de TRÊS reais! Muito bom poder encontrar antigos amigos e botar o papo em dia.

Sexta-feira tirei a típica soneca da tarde, bati um cappuchino com gelo no liquidificador, continuei lendo "O poderoso chefão" e a noite saí com meus pais pra jantar no Don Chef pizzas maravilhosas de Aliche e Lombinho e tomar uma cerveja poloneza bizarra.

No sábado, como não arrumamos carona nesse final de semana, acabei voltando pra São Paulo, onde descobri com a Manda um novo mercado secreto (o sacolão Avanhandava) que tem legumes e frutas a preço de feira e cervejas importadas e a noite, fomos conhecer (dessa vez de acordo) a festa da Nossa Senhora da Acheropita (o que nos fez perceber também que moramos a menos de um quilômetro do Bixiga). Provamos o pão com linguiça (kapsa) e uma fogazza sensacional (que lembra bastante o calzone de Jaú, por sinal, só que custando 1/4 do preço). Pra fechar a noite, assistimos ao clássico "Carrie, a Estranha", baseado no livro que alavancou o Stephen King ao sucesso.
Domingo era a despedida das férias, então eu queria um pouco de tudo: terminei de ler o segundo volume de Corporação Batman (sensacional), assisti "Nightmare in Silver", um ótimo episódio de Doctor Who escrito pelo Neil Gaiman, joguei God of War: Ascencion (valeu PsnPlus!), almocei o delicioso estrogonofe caseiro da Amanda,  tirei uma soneca, demos um rolet no Shopping Tatuapé pra comer um balde de frango e depois assistimos mais um pouco de Netflix.

Agora acabou a farra, hora de voltar pra realidade...mas com a sensação de dever cumprido. Encontrei hoje no meu computador do trabalho essa lista que fiz antes de sair de férias com coisas que eu gostaria de fazer:

- Foz do Iguaçu
- Esgrima
- Teatro
- Centro cultural
- Mestre cervejeiro
- Arco e flecha
- Apostar em cavalos

Considerando o que já fiz (e o curso que ainda vou fazer essa semana mesmo), acho que fui bem fiel ao gustt de dois meses atrás. Great Success!

Quatro carinhas sem charme

Desde que começaram a sair notícias sobre o novo filme do Quarteto Fantástico, fiquei com os dois pés atrás. O casting era altamente duvidoso (não havia ninguém realmente parecido com os personagens das hqs ali) e o Dr. Destino podia até ser um bloggueiro maligno. Mas ainda assim, era um filme de super-heróis, então não poderia ser tão ruim, certo?
Infelizmente não. Não conseguindo segurar a vontade de assistir ao filme, por mais que todas as críticas nacionais ou estrangeiras fossem contra o filme, acabei baixando o torrent do mesmo assim que ele apareceu na internet. 
O filme (ou pelo menos a versão que assisti) tem só uma hora e meia, mas parece mais, bem mais. A escolha do elenco é realmente péssima em todos os sentidos: o Tocha Humano é negro, e sua irmã Suzan é branca, Ben Grimm (o coisa) é baixo e magrelo e o Sr. Fantástico tem "cara de peru". Os atores não tem o menor carisma (nesse filme, pelo menos) e não existe o mínimo de engajamento entre os personagens (o que o filme de 2005, ao menos, tinha de sobra).
A atmosfera dark e séria não ajuda em nada. A Fox, assim como a Warner, ainda não entendeu que nem todo filme precisa ser como "Cavaleiro das Trevas" e isso torna o filme um pé-no-saco. 
O design é uma piada. O coisa, além e não usar calças, parece literalmente um monte de bosta. E o Dr. Destino, caralho, o Dr. Destino é uma aula do que não fazer com um design clássico. O vilão não tem motivação nenhuma, tem poderes telecinéticos (que nunca existiram nas hqs) e seu rosto animado tem menos representatividade que o do Ultron. 
O roteiro mal existe, e se tem algo que filmes assim precisam são bons diálogos (vide Homem-Formiga). Bom, não tem. Nada minimamente interessante ou memorável.
A única felicidade que tive quando o filme acabou, foi saber que tinha economizado o dinheiro do ingresso.
Já passou mesmo da hora da franquia voltar pra Marvel...
Excelsior!

sexta-feira, agosto 14, 2015

Férias e o que fazer quando elas vem de surpresa

O que fazer de férias em SP? Bom, praticamente qualquer coisa. São Paulo é uma cidade linda onde você encontra de tudo. Basta procurar.

Foi assim que na segunda feira passada eu me vi fazendo uma aula de esgrima com um professor russo que treina membros da seleção olímpica brasileira. O que eu não esperava era que fosse gostar tanto. O esporte faz maravilhas por coordenação e postura (duas coisas que eu deixo muito a desejar), e obviamente sua dedicação aumenta quando seu professor faz com que você se defenda de seu sabre utilizando as técnicas de defesa que acabou de te ensinar. O local das aulas fica praticamente na rua de casa, mas infelizmente não vou conseguir pagar a mensalidade (bem salgada) por enquanto, bom, quem sabe um dia? ;)

Terça feira, dei um rolet pelo centro, almocei com a Manda numa cafeteria vegetariana (coxinha de palmito e vigarella de pizza) e, cara, se eu trabalhasse onde ela trabalha minha coleção de hqs seria ainda maior. Ali no centro de Sp existem dezenas de sebos com os mais variados tesouros colecionáveis dos quadrinhos. Você pode comprar as primeiras edições brasileiras de Homem-Aranha, encalhe da Editora Mythos e garimpar incríveis hqs importadas. Comprei hqs com mais de 30 ou 40 anos, da Marvel e da DC por preço de banana (dois reais cada edição), uma edição de 1980 do livro "O poderoso chefão" e passei a maior parte do meu dia lendo. Esse sebo secreto (onde comprei "O chefão") fica no segundo andar de um prédio que não tem indicação nenhuma (a não ser o homem-placa na calçada) que demonstre que há alguma loja ali. O dono tem várias salas protegidas com porta anti-fogo e provavelmente tem qualquer livro que eu pudesse precisar em uma delas.

Já na quarta, decidi que ia brincar de arqueiro. Encontrei um lugar em Santana onde você pode pagar por hora pra praticar arco e flecha. Você usa arcos profissionais e aprende que mirar é ainda mais difícil do que parece. Aprende onde e como encaixar sua flecha na corda, até onde puxar a corda e a, com sorte, acertar algumas flechas (pesadas e parecidas com balas de revolver na ponta) no alvo vermelho e amarelo. Gostei muito da experiência e com certeza voltarei lá um dia pra atirar novamente. O único problema é que esse lugar sim fica muuuito longe de casa, e pra treinar uma hora, eu acabaria perdendo 3h só em ir e vir de metrô. O que vale muito a pena pra você se sentir um guerreiro.

Na quinta-feira, consegui uma carona pra Jaú, passei a tarde no centro fazendo compras com minha mãe e tomando sorvete no shopping. Jantei com ela e meu pai no novo restaurante mexicano da cidade e me senti com 15 anos de novo. Na saída, ainda passamos tomar umas deliciosas paletas mexicanas (tudo mexicano nessa noite!), Jaú é revigorante, meu poço de lázaro, e tinha que fazer parte das férias.

Na sexta, li muito ("Sobre a escrita" do Stephen King é sensacional), tirei sonecas, assisti uns filminhos antigos ("Um estranho no ninho", excelente), meu pai me ensinou a comprar frutas no mercado (laranjas e limões tem que ter a casca lisa, maracujás tem que ser pesados e abaxis maduros tem as "penugens" verdes que soltam fácil) - vivendo e aprendendo - e fui jantar com meus pais no Rospinho (clássico!). No final da noite, a Manda chegou e fui buscá-la no McDonalds.

Sábado mais leituras, cooper, almoço no ìtalo, soneca, hqs, mais uma janta no mexicano (lol), pra apresentá-lo pra Veri, e fui com a Manda e o Sustinho e sua mujer na Cachaçaria pra gente se embriagar. Tomamos pinga, e quem passou mal foi a Manda e sua caipirinha de kiwi. 

No domingo, a Veri serviu pra alguma coisa e fez um puta almoço mexicano em casa. Sério, ela conseguiu superar o restaurante da cidade, e eu mal sabia o que escolher. Tinha nachos, tacos, quesadilhas e tudo a vontade. Rolou até cervejinha ipa de maracujá da Baden Baden pra acompanhar (ipa e de maracujá, sim, roubaram minha ideia). A tarde a Manda veio pra casa, assistimos um pouco de Netflix e tomamos mais umas paletas (porque não é do tipo que se encontra em SP, deliciosa e barata!). E as 21h da noite, a Manda e a Veri voltavam pra Sp, enquanto eu ficava pra aproveitar por essas bandas minha última semana de férias.  

domingo, agosto 09, 2015

Foz do Iguaçú, Ciudad del este y Puerto Iguazu

Ah, féeeeerias! Tanta coisa diferente pra fazer que mal tive tempo de escrever o que estava se passando. Bom, vamos ver até onde minha memória alcança. Na segunda-feira passada, primeiro dia de liberdade, encontrei um clube municipal. Sim, em SP esse santo graal existe! Um lugar onde você pode nadar, jogar e aprender esportes totalmente de graça, escondido bem a vista, bem ao lado do metrô (que não vou revelar, pra não popularizar demais hehe). Fiz minha carteira, exame médico e treinei na academia a céu aberto. Visitei uma exposição do Kandisnky no CCBB, Jantei com a Manda, corri no minhocão. Depois de passar a terça lendo, passeando no centro e assistindo TV, quarta de manhã eu já estava na primeira aula de tênis em uns dez anos, e que saudade que eu tinha desse esporte! 

Quinta feira, o negócio começava a ficar sério. Logo cedo, eu e a Manda pegamos um taxi (caríssimo, como tudo na maldita e maravilhosa São Paulo) pro aeroporto de Guarulhos. Demos um rolet por lá, tomamos um café no Starbucks, imprimimos nossos cartões de embarque com ajuda do pessoal da CVC e então era só esperar o embarque no horrível e apertado avião da Gol, que faz com que os ônibus pareçam artigo de luxo. Chegamos em Foz do Iguaçu logo depois no almoço, fomos levados a Premium Churrascaria, onde comemos um delicioso rodízio (bife de ancho e picanha com alho sensacionais), depois conhecemos nosso hotel (o Turrance, muito bom também) e demos uma descansada. As cinco horas da tarde, nosso transporte passava nos buscar para conhecer o Duty Free Shop Puerto Iguazu, na divisa com a Argentina. 

O lugar é gigante, e tem muita coisa boa. Mas o preço não é tão bom assim. Culpa do dólar, ou da dilma, a maioria das coisas estava tão cara que mais compensava comprar no Brasil mesmo. Compramos pouquíssima coisas e saímos de lá um pouco decepcionados. Pelo menos, triste eu não saí, afinal tinha degustação de diversas bebidas sensacionais (vodka grey goose, jack daniels tenesse honey, etc) que eu nunca tinha provado e foi divertido ver a Manda brigando com os cálculos e conversões de dólar pra dinheirinhos (pesos argentinos) pra dólar e de dólar pra real e vice versa.

Pouco depois de 21h já estávamos no hotel, e deu tempo até de passar conhecer a Imperio (também conhecida como "madruguinha"), onde fomos tomar uns sucos (mandys) e cervejas. Um litro de skol, um litro de suco e um x-salada deram uma conta de R$ 21 reais, que com o desconto da garçonete, acabaram ficando por R$ 20! Vinte reais uma conta, caralho, fazia tempo que eu não via isso! Sucesso!

No segundo dia de viagem, madrugamos. Praticamente abrimos o café da manhã do hotel (maravihoso por sinal) e ainda assim não foi cedo o suficiente. Quando o guia passou nos buscar, nem tinha penteado o cabelo ainda. Nossa primeira parada era a usina de Itaipu ("pedra que canta"), que é um passeio bem dispensável, pra dizer a verdade. Lá só tem um vídeo institucional de dez minutos (que puxa o saco da empresa, até o dia em que ela seja exposta como a Petrobras, quebrada em meio a uma piscina de corrupção) e umas paradas pra tirar fotos. Fotos na frente de uma barragem fechada de concreto. Talvez por dentro seja divertido, por fora é Kapsa total. 

Pelo menos saindo de lá, fomos pro Paraguay! Ali sim, um lugar bom pra fazer compras! Tudo muito barato que no Brasil, mesmo com o preço do dólar batendo lá na lua! Dá realmente vontade de voltar um dia que a situação econômica (do país ou a minha) esteja mais favorável.  Altas bebidas, perfumes e quinquilharias. Fellas vendendo meias pelas ruas como se você estivesse numa 25 de março ainda mais pobre e suja! Armas de choque, remédios ilícitos! Lá tem de tuto! Demos um rolet pelas barraquinhas, conhecemos o bom (e caro) Monalisa, e fizemos nossas compras no shopping Del Leste, ali do lado da fronteira mesmo, que tinha os preços mais atrativos e os vendedores aparentemente mais confiáveis. Almoçamos num árabe (shwarma! ficamos sabendo que Foz é a segunda maior colônia de árabes do país, perdendo só pra sampa mesmo), a Manda jogou numa máquina caça-níquéis do cassino, fizemos muitas compras, tomei cerveja importada gelada a preço de banana, agora as coisas legais estavam começando! O pessoal da excursão ainda ia dar um tempo por lá, então pegamos um taxi mesmo e seguimos até o Parque das Aves, tínhamos pouco tempo e muita coisa pra ver!

O parque é realmente um lugar diferente. Não é todo dia que você pode entrar na jaula junto com os animais e ter tucanos, araras e periquitos sobrevoando sua cabeça e pousados bem ao seu lado. Tantas aves, tantas cores. E a Manda conseguiu ser atacada por uma ave estranha do tamanho de um peru. =b

Voltamos de bus pro Hotel (que ficava praticamente na Av. das Cataratas, então tava bem próximo de tudo), economizando uma boa granda de táxi, jantamos mais um vez no "madruguinha" (24 reais!), tomei uma deliciosa paleta mexicana de pão de mel no hotel e depois provamos uns bons drinks do atencioso barman local. Ele tinha uma receita própria de marguerita com curassau, que realmente não dava pra não provar com os preços super baixos do boteco.

No terceiro dia, já estava tão acostumado a acordar cedo, que praticamente acordei sozinho por volta de 6h30 da matina. Tomamos um café da manhã reforçado no hotel (pão de queijo com presunto, bolinhos e hot dog) e logo uma van passava nos buscar pra nos levar até o lado argentino das cataratas, mais especificamente pra dentro do Parque Puerto Iguazu. Nosso guia seguiu pro lado brasileiro (mas optamos pelo argentino por ouvir histórias de que era mais rootz), então quem nos acompanhou foi um chatosão não tão gente fina quanto o primeiro Joseph Luigi, mas o passeio valeu realmente a pena. O parque tinha trilhas, kuatis, macacos e aves passando do nosso lado e até um trenzinho que levava a gente até pontes gigantescas que passavam acima do rio. 

"garganta do diabo" é uma puta vista do caraaaalho! Que lugar lindo do cacete. Daqueles que te faz se sentir um minúsculo nada dentro do pálido ponto azul. Uma queda em forma de U, tem 82 metros de altura, 150 metros de largura e 700 metros de comprimento, é a mais impressionante de todas as cataratas e marca a fronteira entre a Argentina e o Brasil. Ficamos lá quase uma hora sendo banhados pela cachoeira, e observando essa puta queda gigantesca d´água num buraco maior ainda, que também é repleta de centenas de borboletas das mais variadas cores, que obviamente vão escolher pousar nas pessoas que mais tenham nojo delas. Da vontade de pular. Sério mesmo. Vai que tem um mundo encantado mágico e secreto escondido lá em baixo...Bom, voltamos de lá e pegamos um trem até o restaurante (que era caríssimo, então ficamos mesmo só no Freddo, tomando umas batidas de maracujá com morango e comendo uns alfajores de sorvete). Lá dentro do parque também tinha um cara que esculpia rostos de Jesus em pedaços de araucárias muito bonitos. 

Voltamos com o chatosão, tomamos um banho e procuramos por um lugar pra jantar bem (já que tínhamos pulado o almoço) e acabamos encontrando uma das melhores hamburguerias que já visitamos chamada Rockers. Pão de hamburguer crocante, carne recheada com queijo, milkshake de jack daniel´s, coisa linda e com um preço bem mais em conta que São Paulo! Ainda deu pra ir pra lá andando e passar por perto de todas as grandes choperias da cidade, nosso hotel era realmente próximo de tudo! 

Chegando no hotel, fomos nos despedir do bar. Tomamos caipirinhas de limão e kiwi (6 reais mano, muito barato!) e meio litro de pinã colada servida dentro do abacaxi (por pouco mais que dezlão!). Sucesso!

A princípio, pensamos que nem daria pra conhecer nada no quarto dia, já que nosso ônibus sairia na hora do almoço e não sabíamos que horas o traslado da CVC passaria nos buscar. Mas os caras foram tão gente fina que quando dissemos que queríamos conhecer o Museu de Cera, designaram só pra nós dois um novo guia que nos levou de carro até lá, esperou que dessemos um rolet lá dentro e ainda nos deixou depois no aeroporto! Não que o museu seja um lugar que eu recomende. A qualidade de muitas das esculturas é duvidosa, a luz é péssima pra fotografia e as melhores fotos (como por exemplo, um cenário montado de ponta cabeça, pra você sair na foto com o Homem-Aranha) são cobradas a parte do ingresso (que já é caro, R$ 40, ainda bem que pago meia!). De qualquer forma, foi bom aproveitar pra ver mais uma coisa diferente. 

Chegamos 3h antes do horário do nosso vôo e fomos logo tentar despachar as malas, o que nos deu uma puta sorte. Nosso avião estava com overbooking, então ofereceram se a gente não queria sair num vôo mais cedo da Tam. Aceitamos e voltamos pra casa em um avião mais espaçoso, que serviu até lanchinho (bebidas e torradas) e chegamos em casa bem mais cedo, basicamente na hora que nosso vôo programado deveria sair de Foz! Do vôo ainda deu pra ver até uma vista aérea das cataratas e do mar, já que o piloto acabou fazendo um desvio por Santos. Almoçamos no Carl Jr´s do aeroporto (bem mais kapsa do que o do Kansas), pegamos um bus do aeroporto até a praça da república e arrastamos nossas malas até nosso apartamento. Ah, que delícia tomar um banho quente e capotar em nosso próprio sofá! Como é bom viajar!

A nota da loucura

Da primeira vez que alguém te perguntou o que você queria ser quando crescer, duvido que tenha respondido que seu sonho era ficar sentado atrás de uma mesa de madeira, suando sob o ar condicionado, passando dez horas por dia encarando o branco e o vazio de sua tela de computador, certo?
Lá no fundo, você sabe que tem alguma coisa errada. Eu sei, seus colegas sabem, seu chefe sabe, todo mundo sabe. Você quer gritar, jogar o notebook na parede, morder alguma coisa, matar alguém. Faz tempo que sinto a necessidade da selvageria. Antigamente, quando era mais fácil cultivar amigos, algo que me dava muito prazer era gritar. Qualquer coisa, em qualquer lugar, pra todo mundo ouvir. Pelo simples prazer libertador de gritar. Uivar pra lua. Correr e pular. Me fazia bom. Era um alívio pro meu estresse (que mal tinha razão pra existir naquela época.)
Hoje você se estressa e faz o que? Vai tomar um café.Uma bebida que africanos usavam pra aumentar a força de seus guerreiros. Se anima, ganha ânimo pra batalha, e volta a sentar sua bunda suada em uma cadeira giratória desconfortável. Você se sente um babaca. Se não sente, ao menos deveria, afinal somos atualmente uma sociedade de babacas. É bom admitir isso do princípio. Ganhamos dinheiro para ter o luxo de ser mais babaca que nossos coleguinhas. Sonhamos com quem vai ser o mais babaca. Compramos revistas pra saber quem é o babaca do momento. Acordamos babacas, e perdemos o sono preocupados se estamos ou não sendo babacas o suficiente.
Admito que, pelo menos uma coisa, os babacas originais criaram com perfeição. Sua prisão tem o melhor mecanismo de defesa do mundo. A prisão não tem portas nem janelas.Você é bem-vindo a se retirar a qualquer momento. Mas é aí que está o grande lance. Se você sair, estará sozinho. Não obstante, será julgado como um maluco por todos os outros babacas. 
Se todo mundo saísse, e voltasse a viver livremente, a prisão estaria extinta. Mas o genial (e triste) é que o número de babacas é sempre superior ao número de sonhadores. 
E existe um fator mais preocupante ainda: todo sonhador ama pelo menos um babaca. Todos os sonhadores tem pelo menos um babaca na família, em seu grupo de amigos ou está em um relacionamento amoroso com um. Não é um xingamento. Seria o mesmo que eu xingar alguém de nerd. Não é xingamento porque eu também me encaixo na descrição.
Além disso, as prisões são incríveis. Tem paredes com grafiatto, sofás de pena de pato, cerveja com gosto de trigo e notas de canela e até mesmo netflix. A comida então é tão sensacional que te deixa gordo demais pra que tenha vontade de se rebelar, gordo demais até pra que tenha vontade de sair de casa.
Bom, comecei a escrever tudo isso porque terminei recentemente "Clube da Luta" e pouco depois fiz uma visita sufocante a um shopping center burgues de São Paulo, coisas que me fizeram perceber o quanto a babaquice está no auge. "Todo mundo é juiz" é uma das forças principais desse movimento. Toda e qualquer atitude (transgressão ou não) é julgada com ódio e voracidade. Existe uma música tocando incessantemente e ela tem apenas uma nota: mi. 
As redes sociais tiram sua força do ódio. Todo mundo quer palpitar em qualquer coisa, por mais que não façam a menor ideia do que se trata o assunto. É de vital importância palpitar, principalmente se for pra criticar e falar mal.
A gourmetização, é a segunda força. Um conceito que pareceria ridículo para qualquer observador de fora de nossa época está mais forte do que nunca, "que tal pagar por 10x mais caro por esse hamburger que é no máximo 2x superior a um lanche normal? topo! porque não?". Um pão francês custa UM REAL na rua de casa. Um alface custa CINCO REAIS no mercado. Um picolé custa dez reais. Pipoca com canela custa vinte reais a lata. Um ingresso de cinema custa quarenta reais. Tenho certeza de que tem alguma coisa errada por aqui. O país está em crise, os restaurantes continuam cheios. 
Ostentação é a terceira grande força. Me senti completamente perdido ao observar as vitrines das lojas. Tinha jaqueta de cinco mil reais. Um Mickey de cristal de quatro mil reais. Uma tiara de cabelo de mil reais. Um par de brincos de trezentos mil reais. Quer dizer, se essas lojas existem é porque tem gente comprando certo? 
Mas mais que incomode alguém com tanto dinheiro pra gastar desse jeito, o que mais me deixa mesmo com a pulga atrás da orelha é o porque diabos alguém gastaria tanto com uma jaqueta. Se lobos andassem por aí e vissem poodles ou lhasas de fitinha no cabelo e dentes escovados, o que pensariam deles? Acho que sentiriam qualquer coisa menos inveja. Talvez rasgassem suas gargantas e mijassem em suas carcaças, mas aí talvez eu esteja esperando demais dos lobos. Só me pergunto uma coisa: se isso é evolução, deveríamos sentir qualquer tipo de orgulho de nós mesmos? 
A música continua tocando...
Eu continuo enlouquecendo...

Mi...mi...mi...
Mi...mi...mi...
Mi...mi...mi...

PS: Enquanto eu escrevia esse texto, meu Spotify cuspia algumas músicas que ouço faz tempo e que dizem muito sobre o que eu penso desse tema. Entre elas estavam "O Mundo" (Capital Inicial), The fear (Lilly Allen) e Pies Descalços (Shakira). Vai, me julga, fala que essas duas últimas músicas principalmente são uma merda, antes mesmo de se dar ao trabalho de procurar pelas letras, seu BABACA!

segunda-feira, julho 20, 2015

Famíla E, Família A, Família

Esse foi um fds totalmente diferente do que eu havia planejado. Os planos eram um palestra com o criador de Samurai X no Centro Cultural na sexta e Fest Comix no sabado a tarde o Homem-Formiga a noite. Mas acabamos voltando pra Jaú e passando um fds mais de boa em família.  Eu e a Manda voltamos de carona com o Saulo e o cara do armário, passei o sábado assistindo a um documentário sobre Monty Python e lendo um novo livrinho que comecei e que tem me inspirado bastante a escrever do Stephen King chamado "A arte da Escrita". Na janta, meu pai fez fabulosos bolinhos de arroz (melhores que os do Vila Imperial que comemos na semana passada), tomamos umas cervejas "Amazonia" e passei pegar a Manda pra gente comer umas esfihinhas de chocolate do Habibs. A noite, ficamos de buenas só na Netflix mesmo assistindo Moneyball, um filminho bacana que te deixa com vontade de jogar Fantasy Baseball e principalmente a assistir um jogo de verdade no estádio.  
Domingo fomos com meus pais pra Limeira comemorar o aniversário conjunto do meu pai e do meu tio Alchermes. Chegamos umas 11h da manhã e como sempre nossa tia Mary nos esperava com uma mesa farta de ótimas entradas (pães e queijos italianos, patês de cebola e maçã e amendoins, porque né =), deve ser de família). Também tomamos um Bellini, "mistura de pro-seco com pessegos, inventada no Bar do Harry, que tem esse nome graças a coloração ser parecida com a das roupas das pinturas de um artista que tem esse sobrenome" (no meu mundo ideal toda bebida viria com um adendo explicativo, se fosse assim eu nem precisaria mais ouvir podcasts sobre o tema ^^).

Depois, quando meus primos e agregados chegaram, partimos pra um pesqueiro-restaurante gigantesco (e que ainda tava lotado), onde comemos ótimas porções de tilápia, picanha, mandioquinha, polenta e a melhor: costela de pacu. Ou seja, costela é foda, costela é boa até ser for de alcachofra. Tiramos as fotos de lei, comemos ótimos bolos (o diet era tão bom que nem parecia diet) e depois passamos no meu tio pra um café. E em seguida, voltamos com os V´s pra SP. Foi bem legal poder rever todo mundo, comer bem e lembrar do quanto somos parecidos (não só fisicamente) com pessoas que vivem a quilômetros de distância e que não conhecemos tão bem. Que venham mais encontros de família como esse. =) Deixo no post um quadro do Bellini e uma foto da bebida para eventuais comparações e o trailer do documentário dos Python:

quarta-feira, julho 15, 2015

Os rippers e seu costume viking

Assistindo vikings aprendi umas coisas legais, como por exemplo, de onde vem o nome da cerveja "skol", que é uma palavra derivada das línguas faladas na Escandinávia e usada pelos nórdicos para fazer um brinde. 

Corresponde ao português "Saúde!", que em Inglês se escreve "skol" ou “skoal”, apesar de lá a palavra mais usada para brindar ser "Cheers!". 

Mas isso não é tudo, o significado literal de skol é "tigela, copo", e vem do fato dos vikings tomarem sua bebida nos crânios de inimigos ou entes queridos falecidos. 

Ou seja, toda vez que tomávamos uma lata de "skol" nos beerbongs em formato de crânio, sem fazer a mínima ideia, estávamos seguindo antigas tradições vikings. 

E assim, sem querer, a tradição era mantida.

Um brinde a esse post!

SKOL!

Férias de família em SP

Nada como uma bela semana de feriado! Numa quinta ainda! E diferente do último feriado que passamos viajando, esse aqui foi mesmo pra descansar. Comer, ler e descansar. Na quinta-feira, botei todas as leituras em dia. Falando nisso, o adendo final do livro "Clube da Luta", no qual o autor abre o coração ao mostrar a origem da primeira regra do clube da luta (que é não falar sobre o clube da luta) já vale o livro todo. Almocei com a Manda no Marajá uns salgados, açaí e deliciosas carolinas. Assistimos muita netflix, dormimos, e no jantar a Manda desenvolveu mais um dote culinário: o de reproduzir o maravilhoso pernil de quermesse! 

Sexta-feira trabalhei, mas o dia passou rápido após a folga da quinta, e meu irmão e sua mujer vieram passar uns dias lá no nosso apê. E aproveitando que todos seus filhos estavam em São Paulo, meus pais aproveitaram e vieram pra cá também comemorar o aniversário do meu pai. E como toda vinda deles pra cá, não seria a mesma se não tivesse uma passadinha no The Joy pra umas heinekens e deliciosas pizzas (principalmente a de parma!). Rolou até um parabéns com torta de morango da padaria da rua de trás, onde descobri que servem um maravilhoso sorvete de nutella (melhor até que o do Baccio di Latte #prontofalei).

No sábado, almoçamos com meus pais e o casal V no Consulado da Bahia uma maravilhosa moqueca e filet mignon de carne de sol (sim, isso existe), e depois fomos dar uma volta no Shopping (coisa que nunca fazemos, e que depois de 2h vendo vitrines montadas pra pessoas que aparentemente não almejam nada na vida além de ostentar (tipo, tem jaquetas por 4.500 reais, quem compra isso Jesuis?). 

Descansamos um pouco em casa, reencontramos meu irmão, terminei de reassistir ao primeiro Terminator e logo depois já reencontramos meus pais e os V´s pra uma rodada interminável de comidas de boteco no Villa Imperial e mais cervejas. Bolinhos de arroz, de carne seca, batata com catupiry e bacon, camarões empanados, tudo porque minha irmã tava com uma fome insaciável fora do comum e fora do padrão pra alguém do tamanho dela. Bom, talvez ela estivesse alimentando a pinta gigantesca que brotou no rosto dela. Saindo de lá, fomos pegar uma pizza sobremesa na Bella Antonia, nossa décima quinta despedida da pizza de Sensação do lugar (e acredito que minha irmã ainda vai fazer meu irmão se lembrar durante muito tempo de que não se pede pizza de maçã, chocolate sempre vence maçã, assim como pedra vence tesoura no jo-kem-po, é um fato).


No domingo, acordamos tarde (rolês gastronômicos intensos cansam) e depois de algumas hqs já saímos com meu irmão encontrar meus pais e os v´s na Rota do Acarajé, parada obrigatória quando meu irmão está junto. A moqueca estava muito boa, mas fiquei com a impressão de que diminuíram um pouco os pratos. As opções de cerveja também continuam incríveis, o foda é o preço: agora que aprendi a comprar minha birita no mercado, acho até Brahma muito caro pra se tomar na rua. Depois de comer passamos tomar um sorvete no BdL do shopping, meus pais foram pro teatro (o que é um costume familiar, não exatamente uma mudança de hábito) e eu, Manda, bro e Iza voltamos pro ape descansar, jogar videogame, comer cajuzinho e torta holandesa e ver um pouco de TV.

É até estranho (e ótimo) conseguir reunir a família toda (e agregados!) de uma vez, coisa que não acontecia desde o final do ano, e São Paulo se torna outra cidade quando estou com meus pais, muito mais turística do que quando estou apenas com a Manda ou com meus amigos, então é praticamente como se nós tivéssemos viajado sem sair de casa nesse feriado.

Segunda-feira foi dia de começar regime depois de tanta comilança (e meu pai tinha trazido várias latas de atum pra ajudar com isso), e na terça a Manda me deixou orgulhoso fazendo sua estreia no rolet noturno no Minhocão. ^^

terça-feira, julho 07, 2015

What a day! What a lovely day!

Mais um final de semana em Jau, mais relaxante dessa vez. Sexta eu e a Mand voltamos como sempre no batepapo carona com Eduardo, e chegando comi um lanche do Rospinho e tomei uma cerveja conversando com meus pais.

No sábado de manhã, assisti mais uma vez o incrível Mad Max 4: Fury Road com meu broda, que ta passando as férias em Jaú, e depois fomos almoçar no clássico sábado no Zezinho e banca. Ainda comemos até umas paletas de sobremesa (caralho, a de Amarula é foda demais!), e comprovei que a melhor paleta do mundo é a jauense, tanto no preço quanto no sabor. No finalzinho da tarde joguei uns joguinhos de Super Nintendo no PS2 com meu bro (Medíocres! parece que todo jogo é melhor na nossa memória), e na janta passei pegar a Manda pra um foundue na casa do Sustinho.

Depois de me enpanturrar de queijo e chocolate, fomos jogar um PES no XBox One novo dele e curti demais o Shape Up!, que usa o Knect de uma que deixaria os criadores de Tron orgulhosos, botando literalmente você dentro da tela do jogo. Cara, a camera do jogo te coloca dentro do jogo de verdade e lá seu avatar interage com o ambiente 3D! Muito show! Obviamente, não é melhor coisa pra jogar depois de se encher de foundue e cerveja, então  nosso fôlego de idosos não nos permitiu jogar tanto quanto eu gostaria, mas deu até pra dancar "what does the fox say?" no JustDance, provavelmente a coisa mais gay que eu e o Sustinho já fizemos juntos. Aqui um exemplo com estranhos, vocês podem inserir a gente na sua imaginação:


Domingo dormi muito, assisti Vikings, li umas hqs alternativas (a francesa Lucille, por exemplo), passei na vó da Manda desejar um feliz aniversário atrasado e deixar ela cremosa pro novo namorado,  e fui com meus pais e meu irmão almoçar numa cantina italiana com um ambiente super agradável (que faz jus a qualquer cantina do Bixiga) e que de alguma forma maluca não conhecíamos e não sabíamos o que estávamos perdendo.

Lá comemos várias massas artesanais muito boas, rolou até molho de gorgonzola ou de burro (que aprendi ser manteiga) e tomamos o vinho de um de meus filmes favoritos do Kevin Smith. O vinho fez com que eu dormisse a maior parte da tarde, e logo já era hora de buscar a Manda pra gente jantar mais um ótimo fondue em casa (caprichado no gorgonzola, como diz o mandamento) e tomar mais um vinho. As 20h, como de praxe, o Eduardo passou nos buscar e já era hora de voltar conversando sobre a vida, o universo (dúvidas de dentistas) e tudo mais na volta pra São Paulo. O bom é que a semana é curta, então que venha o feriado!

segunda-feira, junho 29, 2015

Do Not Adjust Your Set! - Monty Python em preto e branco!

Eu já assisti tanto aos sketches antigos de Monty Python que fico esperando até a Inquisição Espanhola (e ninguém espera a Inquisição Espanhola!), o que me levou a procurar o que veio antes do Circo Voador. Acabei chegando na série "Do not adjust your set", cujos 9 primeiros episódios você pode encontrar na íntegra no youtube.

É a origem de MP, ou seja, na falta de algo melhor, é tudo de bom!

Abaixo o textinho que traduzi da/pra Wikipedia, já que não havia nada a respeito do programa em português:

Do Not Adjust Your Set! (DNAYS!) é uma série de televisão produzida na Inglaterra em 1967. O nome do show vem da mensagem que costumava aparecer freqüentemente naquela época quando havia algum problema com a transmissão.

Ele incluiu primeiras aparições de Denise Coffey, David Jason, Eric Idle, Terry Jones e Michael Palin; os três últimos  membros da trupe cômica Monty Python. Embora originalmente concebido como um programa infantil, rapidamente adquiriu fãs entre muitos adultos, incluindo os futuros Pythons John Cleese e Graham Chapman.

A banda The Dog Doo-Dah Bonzo Banda tocava uma canção em cada programa e os músicos freqüentemente apareciam como extras nas sketches. O programa exibiu uma série de sketches muitas vezes bizarras e surreais, com frequência que já antecipavam o humor de Monty Python Flying Circus, que se seguiu cinco meses após o último episódio de DNAYS.



Final de semana cheio de bons achados é igual a segunda feira cheia de boas dicas

Dica de filme: 
Relatos Selvagens. Não dá pra falar muito desse filme sem soltar um spoiler que estrague sua vida. Vai ter que confiar na minha palavra de que é uma história realmente boa e original (várias histórias na verdade, é meio como se você estivesse lendo a um livro de contos). Minha única tristeza é que o filme é argentino quando poderia muito bem ser brasileiro se nosso cinema ainda não dependesse de comédias babacas e piadas com peido.



Dica de jogo (PS3): 
Unfinished Swan. Desde Journey eu não jogava alto tão original. Um jogo que tenta ser um livro que tenta ser algo totalmente diferente. Em um mundo branco e incompleto, você utiliza de bolinhas de tinta pra formar o cenário ao seu redor e resolver puzzles divertidos. A dor de cabeça que essa confusão dá é tão pequena comparada ao prazer de encontrar cada novo capítulo, que quase mal vale a pena ser mencionada.


Dica de livro: 
Clube da Luta é provavelmente meu filme favorito. Meu anarquista interior vibra com cada cena e meu cinéfilo interior vibra com cada easter egg que não consegue ser mais rápido que minha vista. Demorei pra ver o quanto o livro também era bom. O filme é estupidamente fiel ao livro, e mesmo já sabendo de cor o final da história, você ainda pode se encantar nas formas que o autor utilizou pra esconder a verdade de todos durante mais de duzentas páginas.


Dica de peça: 
Mudança de Hábito.
Num domingo (dia de missa), fui com a Manda ao teatro Renault (antigo Abril) as 16h da tarde (horário de sessão da tarde) assistir ao musical consagrado no cinema com a velha Whoopi Goldberg. Fui esperando pouca coisa. Nunca consegui assistir a esse filme inteiro e o tema igreja não costuma ser dos mais animados, mas confesso que fui surpreendido novamente. Os atores mandavam muito, as músicas eram contagiantes, e os cenários e figurinos literalmente brilhantes. E ainda teve o benefício de como era domingo a tarde, haviam muitos assentos vazios, então deu pra gente pular diversas fileiras pra frente e assistir a tudo de um ponto bem mais caro pelo menor preço de ingresso da casa. Sucesso! 

Dica de app:
Marvel Future Fight é um joguinho lindo. Lembra muito os dos X-Men pra PS2, no qual você controla diversos personagens da Marvel simultaneamente e enfrenta dezenas de diferentes vilões. O único defeito é essa pirraça da Marvel deixar de fora os mutantes e o quarteto de todas as suas novas produções. #Savida. Pelo menos temos os Vingadores, Guardiões da Galáxia, Demolidor, Homem-Aranha e muitos outros!

sexta-feira, junho 26, 2015

Apertado

Odeio viajar em ônibus espaciais. Não que eu não goste de visitar a lua púrpura, mas bem que eu queria que houvesse um jeito mais fácil de chegar lá.
Combinei com minha família de nos encontrarmos na colônia de férias lunar porque é o ponto mais próximo entre os planetas Amazon, Apple (onde meus pais moram desde que se apostaram) e Nike (onde minha irmã trabalha no atualmente em um banco de sangue). É sempre bom reunir a família toda, mas a viagem é bem longa e cansativa.
Não que o transporte não seja confortável, levando em consideração as condições do espaço, essa tecnologia evoluiu muitos nos últimos séculos.
Ainda assim, acho que nunca vou me acostumar com as travas e cintos de segurança do vaso sanitário da nave, mesmo sabendo que sem eles eu poderia sair flutuando durante um momento muito inoportuno.
Mijar dentro de um tubo, que suga o líquido expelido com a ajuda do vácuo, também não é a experiência mais agradável do mundo. Muito menos saber que por aqui não desperdiçam o material coletado, e que, depois de um tratamento especial, minha urina se transformará em água potável.
Mas a verdade é que ainda prefiro isso a ter que usar as fraldas de segurança. Pela cara que o sujeito ao meu lado fez há pouco, não duvido que ele tenha utilizado a dele sem pensar duas vezes na hora do lançamento.
Ao menos as poltronas são confortáveis o suficiente e me esforço para entrar em modo de hibernação o quanto antes, mas estou sem sono nenhum.
Acho que não devia ter exagerado tanto naqueles StarCoffees na rodoviária. Fazia tanto tempo que eu não tomava um space-a-puccino, que talvez eu tenha exagerado na dose.
O problema de não conseguir dormir é que acabo prestando atenção no que os demais passageiros estão fazendo, e isso me irrita demais. Por exemplo, não entendo o propósito de trazer crianças para uma colônia lunar. Existem dezenas de colônias de férias muito melhores em qualquer outro planeta do Império.
Mas esses burgueses malditos fazem questão de trazer seus pirralhos recém-provetados até a lua. Acho que é uma questão de status. Quanto mais novo você visitar as crateras de sal púrpura e os mares artificiais de vento, mais chances você terá de garantir seu lugar na alta-sociedade no futuro.
Como se essa viagem já não fosse um processo cansativo o suficiente para um adulto.
Minha esposa Amora dormiu assim que embarcamos. Às vezes eu queria ter a facilidade que ela tem para cair no sono, ou pelo menos, sua disponibilidade para ingerir uma boa quantidade de sonopílulas.
            O narrador do meu audiolivro cospe palavras em alta velocidade no meu ouvido, mas só consigo me concentrar no ronco do passageiro do banco da frente. Lembro por um segundo de que o som não se propaga no espaço, e isso só me deixa com mais vontade de jogá-lo para fora do busão.
            Já fazem cinco horas que deixamos Amazon para trás, e ainda não consegui dormir. Coincidentemente, o bebê chorão da primeira fila também não. Ele olha para minha cara e chora. Tenho vontade de chorar também. Ninguém notaria mesmo, já que as luzes da nave foram apagadas cerca de quatro horas atrás.
            Pouco tempo depois, o ônibus estacionou junto a uma base satélite. Que maravilha, não sabia que teríamos paradas na viagem!
            Isso significa que posso descer, esticar um pouco as pernas e aproveitar para usar um banheiro com gravidade artificial.
            As manobras de acoplagem demoram quase 40 minutos. Já estou quase usando a fralda, quando finalmente o motorista desce e começa a conversar com a equipe local.
            Acho que agora sou único passageiro que ainda está acordado. Caminho da última fileira, onde estou sentado, até a saída do ônibus e sinto como se estivesse caminhando por um cemitério. Dezenas de pessoas hibernando em animação suspensa. Repousando calmamente na fria escuridão do espaço.
            Liguei o suporte de vida de meu traje de viagem e, deixando o ônibus espacial, entrei pela primeira porta que encontrei aberta.
Esse posto espacial parece ser bem diferente dos outros que já visitei. Geralmente a entrada das toaletes e da loja de conveniência tem dezenas de luzes indicativas, e fica bem óbvia.
            Neste aqui, tive que percorrer uns cinco corredores, até que minha insistência acabou vencendo e finalmente encontrei um banheiro. Ah, que alívio poder contar com a boa e velha gravidade para dar uma mijada.
            Me perdi um pouco na volta, mas depois de pouco encontrei a porta por onde eu havia entrado na estação.
O problema foi que assim que a atravessei, vi a coisa mais assustadora que poderia acontecer em qualquer viagem interplanetária: meu ônibus partia e me deixava para trás.
            Como assim? O motorista nem se deu ao trabalho de contar os passageiros? Olhe para o seu maldito painel imbecil! Tenho certeza de que verá uma luz vermelha piscando com o número de meu assento nela!
            Foi então que me dei conta. Não era um satélite de conveniência, o ônibus estacionara apenas para abastecer. 
          Tentei voltar para dentro e pedir ajuda para a equipe de manutenção da estação-posto, mas a porta que eu tinha utilizado fora selada automaticamente após a finalização do processo de abastecimento.
            Merda! Fiquei preso do lado de fora!
            Gritei, xinguei e chutei a lateral da estação com todas as minhas forças, mas obviamente ninguém me escutou.
            Meu ônibus ficava cada vez mais distante, só um ponto prateado em meio as estrelas. Imagino a cara de desespero da Amora quando acordar e perceber que eu não estou ao seu lado. E o aperto que a coitada vai que passar quando tiver que explicar o que aconteceu à minha família.     
            Sento na beirada da estação e observo o visor digital do meu suporte de vida. Tenho mais doze horas, se conseguir entrar em estado de hibernação. Talvez quatro horas, se eu continuar acordado.
            Me sinto pequeno, triste, vazio.
            E apertado.
            Não vai ter jeito, acho que vou acabar tendo que usar a fralda.

segunda-feira, junho 22, 2015

Virinha! Virinha! Virinha!

Um final de semana corrido. Depois de quase um mês em maio passando nossos sábados e domingo somente em Sp, eu e a Manda decidimos voltar e acabamos acumulando muita coisa pra fazer em pouco tempo. Sexta a noite, voltamos de carona com o Edu, e comi um lanche de atum com meus pais quando cheguei. E já cheguei cansado porque na quinta-feira tínhamos encontrado minha irmã pra trocar lembrancinhas de viagens e comer uma pizza na Bella Antonia (que pasmem! está a venda!). 

Passei a manhã do sábado imprimindo documentos e lendo Corporação Batman (Morrison S2), almocei com meus pais no Zezinho, e a tarde cochilei e assisti um pouco de Netflix. A noite, eu e a Manda saímos jantar com o Sustinho do Don Chef (pizzaria mais bonita da cidade, com altas restrições de escolha ja que a Manda não come nada marinho e a mulher do Sustinho nada porquinho e ele próprio não curte "pizza de coxinha"). Ainda bem que a pizzaria era boa e conseguia fazer milagre com queijos e chocolates. LOL Saindo de lá, fomos conhecer com o Bones o novo rolet mais underground rock n roll da cidade, o Cuca Fresca. Um lugar onde as cervejas tem preço de Rosário (4 reais uma "No Grau"!), as pessoas são simpáticas apesar de parecerem mal encaradas a qualquer estranho, serve amendoim (sempre um ponto positivo), tem um fliperama (sempre sucesso) e ainda tava rolando uma banda cover do Metallica. Se não fosse talvez perigosamente demais próxima de uma favela e já não tivesse rolado um ou outro tiroteio ou esfaqueamento por ali (ou a Manda, como eu, não ligasse pra esse tipo de detalhe), eu diria que voltaria em breve com certeza. Gosto de me sentir em cenários de faroeste, onde todo novo estranho é visto com desconfiança e todos tem suas botas sujas de terra.

Domingo cedo, mais um pouco de Bátima, passei com a Manda no território e almocei um suculento joelho de porco com meus pais. Em seguida, desci no Frodo (o estrangeiro), onde ele estava reunindo alguns rippers pra queimar uma carne excêntrica de um animal que não pode ser mencionado por motivos legais. Virinhas, escravos de jó (continuo não tendo coordenação nenhuma pra isso), Shaolin comendo coisas como "pele de pé" e "sujeira de unha" de outros com salame, e cerveja barata. Uma típica festa ripper só para homens, cuja trilha sonora foi essa pérola contemporânea do "trance horse", que batizei de "Shall we Vomit" publicada abaixo:




Saindo do churrasco, passei buscar a Manda pra um lanche nos Baratheon, afinal, não da pra vir pra Jau e não curtir o melhor lanche de vaca do planeta, e pouco tempo depois já estávamos esperando o Eduardo vir nos buscar e era hora de voltar pra São Paulo. Resumindo, um ótimo final de semana, onde consegui rever vários amigos e familiares, preenchendo meu tempo de forma tão corrida que nem tive tempo de correr (#badumtss). Acho que "virinha" é a expressão que melhor simboliza o panorama geral: "Tanto pra beber, em tão pouco tempo". =b

ColecionaCast #2 - Um milagre de publicação!

Nesse novo episódio do ColecionaCast, será mostrada a origem do MiracleMan, comentaremos as aventuras escritas por Alan Moore e Neil Gaiman, todas disputas judiciais a respeitos dos direitos de publicação do personagem nos bastidores, a vitória da editora Marvel e a sua nova publicação mensal no Brasil!


Agora o podcast conta ainda com a edição profissional do Wellatron! Que também re-editou o primeiro episódio, reupado, e que pode ser facilmente encontrado na nova seção "Podcast" localizada no menu superior do blog!

Keep listening!