quinta-feira, abril 30, 2015

Tempo bom (ou "Cronômetro")

Botão pressionado
Cronômetro ligado
Do zero ao um
Do dois ao choro
Quem tem tempo?
Eu tenho pouco
Mas sempre arrumo
Quem tem tempo?
Talvez os outros
Mas não pra mim
Quem tem pressa?
Não tenho muita
Mas vendo a minha
Quem tem pressa
Senão o próprio tempo?
É ele quem anda
Voa 
Corre
nunca pára
E não se cansa
Quem tem tempo
Pra me ler?
Botão
Pressão 
Do tudo ao zero
Do dígito ao nada
Quem tem pressa
Que não se esqueça


Neonerds ou "Dividindo minha caixa de brinquedos com estranhos"

É estranho que hoje em dia todo mundo conheça Ultron, Al Ghul, Grodd. São nomes que conheço há quase vinte anos, e que faziam parte apenas do meu vocabulário. As pessoas eram tão desligadas em quadrinhos que eu podia jogar truco tendo o Wella como parceiro e dizer abertamente "destino fodido" como se fosse nosso próprio código secreto maluco, e só nós dois saberíamos que estávamos com mãos cheias de 4´s. Hoje em dia, todo mundo sabe quem é o Doutor Destino, tanta gente compra hqs que eu literalmente fico sem se deixo algo pra comprar depois (perdi a segunda edição de Injustice assim) e até personagens totalmente underground como os "Guardiões da Galáxia" são idolatrados. 
Isso é do caralho por vários motivos, um deles sendo o fato do mercado ser muito mais movimentado, e isso tornar as coisas mais acessíveis. Dez anos atrás, eu recorria à bordadeira pra conseguir vestir uma camiseta do Flash! BORDADEIRA! Agora você acha camiseta do "Homem de Ferro" em qualquer quiosque de shopping, site ou loja popular (Renner S2). 
Leio diariamente pessoas xingando os novatos, os "posers" que confundem DC e Marvel e o caralho. Mas é graças a eles que temos tanta quinquilharia colecionável disponível por aí. Melhor ainda: agora tem tanta gente colecionando que os itens que eu já tinha valorizaram tanto que eu vejo alguns preços no mercado livre e nem consigo acreditar que alguém está comprando algo naqueles valores. Ou seja, tudo que eu comprei a vida toda, acabou sendo realmente um investimento (ainda que eu mesmo duvidasse disso no próprio momento da compra).
E é claro, o mais gratificante de tudo é obviamente o fator: EU JÁ SABIA. Eu sempre soube o quanto cada uma dessas coisas (personagens e histórias) era foda e que só faltava oportunidade pras pessoas reconhecerem (e não poderia ser lendo, porque a maioria das pessoas não gosta de ler). 
Bom, esse post originalmente era pra ser sobre "Vingadores 2: A era de Ultron". Esse não fui ver na estreia, e pra falar a verdade, nem curti tanto. Ao saber que eu não ia na pré-estreia, um amigo meu (que por sua vez ia) me disse: "Já foi mais nerd, Gustt". Talvez. O que eu acho na verdade é que o resto do mundo é que já foi menos.

quarta-feira, abril 29, 2015

Space Wars

Sexta-feira a noite foi o dia de encaixotamento. E caraaalho, como eu e a Manda acumulamos coisas nesse nosso primeiro ano morando juntos. Enchemos dezenas caixas, sacos e sacolas com tudo que havia escondido dentro, nos cantos e acima. No sábado de manhã, aquela típica correria de mudança: três carregadores levaram cerca de seis horas (a maratona começou as 8h30 da manhã e terminou 14h30) pra desmontar nossos moveis, carregar o caminhão e depois levar tudo pro nosso novo pedaço alugado de SP, nosso querido "castelo". 
Algo que sempre me irritou na kit foi a falta de espaço, falta de privacidade e o mais odiado de todos: o piso branco maligno.
A toca nova é diferente, é ampla, espaçosa e...velha, meio malacabada até, como um bom castelo. Esse é o preço que São Paulo cobra. Os novos apartamentos tem cerca de 28 metros quadrados e custam um absurdo (400 mil reais por um "quartinho" desses na Augusta). Já os "antigos" (como minha mãe gosta de chamar as gerações passadas) realmente sabiam como viver. E como bons caipiras jauenses, eu a Manda optamos por ter espaço (lugar pra receber visitas, cozinha arejada, banheiro tão grande que tem até banheira). Vai dar até pra fazer churrasco (não que na kit a gente não fizesse, mas era foda deixar a casa toda cheirando linguiça. Obviamente, é mais difícil e demorado ajeitar um castelo do que arrumar um quartinho, mas topamos o desafio, e eu to feliz pra caralho com essa evolução. Me sinto mais gente, vivendo menos apertado. O próprio bairro é bem melhor. Menos travecos, mais idosos por metro quadrado. Trocamos a vista de um relógio eletrônico pela torre do Big Ben (danceteria). Padarias, restaurantes e hotéis tão bons que mal temos grana (pelo menos por enquanto rs) pra frequentar.
Sendo assim, espero sua visita, caro leitor amigo ou familiar, no nosso novo humilde castelo velho :)

terça-feira, abril 28, 2015

Feriado de Tiradentes

O final de semana prolongado pelo feriado de Tiradentes foi limitado pela falta de grana. Mas nada que Demolidor na Netflix e a internet do vizinho não resolvam. 

Minha sexta começou bem feliz. O pão de açúcar estava com uma promoção de desconto de 50% nas cervejas especiais, a qual eu fiquei sabendo as 8h da manhã no Whatsapp. As 9h estava no mercado, comprei altas brejas, tive um desconto mágico no caixa e paguei menos da metade do valor original (75=23). Sucesso. Cheguei no trampo, fiz algumas reuniões, uma comprinha online no delivery no PDA e no almoço voltei ao mercado. Gastei o mesmo que tinha gastado na semana anterior no Scooter e tenho brejas nice até o final do mês. Muito melhor que black friday! A noite, eu e a Manda nos despedimos da pizzaria Bahia e já abri a primeira garrafinha de Brooklyn Lager. 

Sábado passamos tirar as medidas da nova toca, tirar algumas fotos e conversar com a vizinha. Na volta pra casa, pegamos um frango assado com batatas e compramos caixas de um catador (dono do monopólio de doação de caixas de todos os mercados das redondezas). A tarde, sonequinha e netflix, depois corri pro Itau Cultural onde tava rolando a segunda edição da "Batalha de Quadrinhos", onde dois desenhistas tem de 1 a 3 minutos pra desenhar algo num cavalete e ter seus desenhos submetidos à votação do público. Tinham só quatro participantes, mas ainda assim fiquei feliz de pegar o primeiro lugar =]d A noite, eu fui de hot dog e a manda de pizza de despedida que tinha sobrado na sexta.

Domingo eu e a Manda acordamos cedo (pq somos velhos) e passamos na feira comprar algumas frutas e verduras. Almoçamos a deliciosa beringela empanada recheada com queijo que ela faz. Na verdade ela tava muito eficaz na cozinha, fez até um suco de laranja natural e um bolo de milho enquanto eu lia qualquer coisa da Marvel no iPad. Liguei pra no sábado Vivo avisando que ia mudar no final de semana e os putos cancelaram minha internet no domingo! Malditos atendentes incompetentes, fiquei muito bravo. Mas ofereci pro vizinho pagar uma semana e usar o wifi dele, e ele foi gente finíssima e nos forneceu a senha na faixa! ufa! A tarde, passei pelo "fim de feira", vi os caminhões se retirando, tendas sendo desmontadas, pessoas dispersando, e foi bem icônico como sinal de tempos de mudança. Depois corri até o final do minhocão e voltei pra casa pouco antes da chuva começar. Jantamos bolo de milho com vitamina de maçã e banana (notou que fomos vegetarianos involuntários nesse dia?), e só pra não perder o costume, abri uma breja e assistimos Demolidor.

Segunda feira, assinamos o contrato da nova toca, trabalhei home-office fazendo algumas reuniões de casa mesmo (santo vizinho!) Me despedi do shwarma do centro no almoço (acompanhado de uma Duvel), li hqs, joguei videogame e a noite jantamos milho cozido quando a Manda chegou do trabalho.

Na terça feira, mais hqs (vida longa à Marvel Unlimited! Agora com todas as hqs de Star Wars disponíveis!), encaixotamos algumas coisas, terminei de assistir "Velozes e Furiosos 5" (kapsa, mas melhor do que eu esperava) e almoçamos beringela novamente. A tarde dormimos, joguei um pouco de videogame, e a noite nos despedimos do nosso restaurante favorito da região: o Sujinho. A melhor batata com bacon, o melhor x-salada, a melhor maionese. Um ótimo chopp e uma loucura de chocolate de saideira. Passamos a maior parte do tempo dentro de casa, mas terminamos a primeira temporada de Demolidor (muito boa por sinal) e fechamos com chave de ouro. Que venham agora os novos tempos :)

segunda-feira, abril 13, 2015

Jaultra agradável

A sexta feira começou bem. Eu e a Manda acordamos 7 da manhã pra assistir a estréia da nova série do Demolidor no Netflix, e caraaalho, que seriado lindu! Depois fui trabalhar e almocei com meu boss num food truck chamado Rock & Ribs. Almoçar hambúrguer artesanal, acompanhado de uma long neck de Bud e ao som de Megadeath é top! E no meio da tarde, fiquei bem feliz com uma notícia de que tinha pego o 15o lugar em um concurso de poesia, o que significava que eu seria publicado em um livro e que estranhos leriam o que eu escrevi. Ainda que seja só uma página, já é um começo. :) Depois do trabalho, eu e a Manda jantamos pão de queijo recheado de mussalera (pq queijo nunca é demais), voltamos com a Very e o Vyc pra Jau, onde meus pais esperavam com lanches do Rospinho, saudades e Skol Beats

No sábado, botei muita leitura, sono e Netflix em dia. Tanta coisa boa que vou até fazer um post pra cada uma dessas maravilhas da cultura pop em separado. No almoço, meu pai fez um Yakisoba caseiro e ficou sensacional Tinha até cervejinha de trigo do João Gordo pra acompanhar! A noite, jantamos no Don Cheff a melhor pizza da cidade e em seguida, eu e a Manda encontramos o Sustinho no Scooter pra uns chopps Heineken e Amstel. O defeito do bar foi fechar cedo (meia noite e meia), então tivemos que continuar a bebedeira na casa dele. Continuamos criando músicas pro Sacolejo, dançamos, ficamos idiotas, comemos comida de Air Fryer e bebemos muita cerveja. 

Domingo de ressaca, as leituras continuaram. A Manda almoçou joelho de porco com a gente em casa e continuamos a assistir Demolidor. Dormimos, demos rolet no Território do Calçado, tomamos café e voltamos pra Sp a tempo de assistir ao primeiro episódio da nova temporada de Game of Thrones! Ou seja, tudo que um ótimo fds precisa: família, amigos, cerveja, tv e hqs! :)


A Saga do Tio Patinhas
Essa saga escrita e desenhada pelo Don Rosa, que saiu em encadernado esse mês pela Editora Abril é a melhor hq Disney que já li na vida. Os desenhos são tão rachurados e detalhistas que as vezes parece que estou lendo uma hq do Robert Crumb. O roteiro é lindo. Dá vontade de viajar pelo mundo todo. É divertido, engraçado, e mostra a trajetória do Tio Patinhas desde quando ele conseguiu sua primeira moeda da sorte. Recomendo muito! O tecladista do Nightwish gravou um disco todo baseado na obra:


O Rei do Ponto

Esse trabalho do Mutarelli só confirma que "A trilogia de Diomedes" é mesmo a melhor hq nacional já realizada. Os desenhos são tensos. O roteiro é genial ("rei do ponto" era um cara da antiguidade que tomava doses pequenas diárias de veneno pra se tornar imune a esse tipo de ataque) e tem até pontos em que o autor recomenda músicas que devem ser ouvidas junto as cenas de ação (e youtube e smartphone facilitam demais nossa vida nessa hora).

Star Wars: Herdeiro do Império
A continuação de "O Retorno de Jedi" em livro me surpreendeu. Confesso que comprei só porque o autor estava autografando a obra na Comic Con no ano passado, e achei que não seria nada demais. Mas a leitura é bem fluída e estou gostando bastante da história. E ainda veio com o melhor marca páginas da história dos marca-páginas!

quinta-feira, abril 09, 2015

O sonho, a arte, a doença

Ah, o Grande Mutarelli! Ver o cara falando ao vivo é quase como ir a um stand-up. Melhor provavelmente. Ontem o mestre participou de um encontro chamado "Quarta ao Cubo" no Itaú Cultural, no qual respondia as respostas da galera enquanto desenhava numa parede. O próprio desenho já valia o ingresso (que era gratuito =b): ele se desenhou levando o cérebro pra passear numa coleira, enquanto um gato chamado mentira sussurrava coisas no seu ouvido, que por sua vez eram sussuradas no ouvido do gato por uma entidade mística chamada Chipetotec, cujas palavras tinham origem no diabo (um triângulo invertido com um olho dentro). E o cara é sempre engraçado pelo simples fato de que é muito sincero. "Arte é uma doença. Se você tomar seus remédinhos em dia, vão acabar trabalhando no Itaú, o banco mesmo, não o Itaú Cultural" foi uma das pérolas da noite. Alguém da plateia perguntou quando ele começou a ganhar dinheiro e viver de quadrinhos "Nunca ganhei dinheiro. Meus livros custam R$50 e eu fico com 10% disso, as livrarias ficam com 50%. Minha mulher sempre me sustentou. O máximo que fiz quando fazia quadrinhos era ajudar com o aluguel". Seu maior medo perguntaram "O que mais me assombra é o final do mês, contas, quando eu era criança era o boletim". Algo que gostaria de fazer? "Publicar gente nova. Mas já desisti. Ninguém quer apostar nisso e os cachorros velhos não querem largar o osso. Aí fica difícil". 
Gente fina pra caralho, com uma garrafa metálica de whisky no bolso e sempre louco pra fumar, ele ainda teve tempo de autografar meu encadernado da Trilogia de Diomedes (minha hq nacional favorita de todos os tempos). É meio triste que meu sonho seja ser como ele, e não como um empresário milionário qualquer, certo? Quem sabe? Talvez eu só esteja doente...

quarta-feira, abril 08, 2015

Comida caseira, ovos de páscoa, amigos e muita cerveja

Quinta a noite, eu e a Manda encontramos o Saulo na Estação Luz pra voltar pra Páscoa em Jaú. Chegando em casa, meus pais e meu irmão já me esperavam com lanches aquecidos e cervejas geladas e até colocar todas as conversas (e neuras) em dia, acabamos bebendo até mais de duas da manhã. Sucesso!!!
Na sexta, meus pais estavam realmente inspirados pela visita do estrangeiro nacional e fizeram moqueca de peixe no almoço e peixe assado na janta. Nem parecia que eu estava em casa. E tudo sempre regado com cervejas tão boas que tive medo até de ficar mal acostumado pra voltar pras minhas Bavarias cotidianas. Originais, Bohemias, Sulamericanas, Backers premiadas, só cerveja boa a todo momento! Em meio a tudo isso, um filminho ou outro (como Poucas e Boas, do Woody Allen, ou Hatari! com John Wayne) e boas leituras (a Saga do Tio Patinhas, encadernado que você pode encontrar agora nas bancas é sensacional! sério mesmo! deixa no chinelo muita saga da Marvel). 
A noite, eu a Manda e o Gustinho e a Marin ainda fomos conhecer o novo bar Armazém, que é basicamente a mesma merda que o Salomé. 
No sábado, continuei minhas leituras (terminei Shada), dei banho em alguns Lps, desenhei um pouco, e continuamos com a comida caseira (lombo, salada, cerveja e até Sangria!). Sempre com muito chocolate de ovos de páscoa de sobremesa. E a noite: home made pizza de aliche! Minha favorita. Massa integral, queijo bom e o melhor bacon dos mares!  Saindo de casa, eu e a Manda (que despreza iguarias marítimas) fomos pra Lanchonete do Edson comer o melhor lanche da cidade (e talvez do universo) e encontrar a tia dela pra mais umas cervejas.
No domingo, acordei cedo e fui correr na Av. Wolverine, busquei a Manda e almoçamos cedo porque meu irmão tinha um bus pra pegar 12h30. Lombo, massa, e as últimas cervejas da geladeira! A tarde, encontrei o Gutones pra tomar uns chopps no Shopping e filosofar sobre a vida, e logo já eram 19h, hora de voltar pra cidade. Mas tudo bem, porque nesse fds tem mais interior!

terça-feira, março 31, 2015

São Paulo (and again and again and again)

Sexta começou com um bom lanche no Burger Lab (lugarzinho lindo que fui com a Manda no qual você pode montar seu lanche e ainda tem batatas rústicas cobertas com cheddar e bacon!) 
E no sábado de manhã, voltei à Biblioteca São Paulo pra mais uma edição do encontro Segundas Intenções, que dessa vez trouxe André Vianco e Liz Vamp (filha do Zé do Caixão) e supostamente o próprio Mojica. Ele foi o último a chegar e achei que era porque pularia de trás de alguma cortina todo caracterizado como Zé do Caixão, mas fiquei bem triste de ver que ele demorou pra chegar poque estava muito mal de saúde. 79 anos, cadeira de rodas, mal conseguindo falar (bem diferente de quando o vi firme e forte em 2011). 
O encontro foi bem bacana, fiquei sabendo de vários trabalhos novos do Vianco (AND peguei uma edição de Sétimo autografada), mas a "vampira" Liz atrapalhou pra cacete. Começou passando um video bem bobo de trabalhos dela (como criar o Dia do Vampiro), e quando abria o microfone demorava horas pra dar uma resposta. Poxa, a galera tava lá pra ver o Vianco, somos fãs de livros não de gente metida a vampiro, afinal, estávamos numa Biblioteca né! De qualquer forma, foi uma manhã com uma conversa agradável e me arrependi de não ter levado nada do meu livro pra compartilhar com a galera que estava por ali (todos fãs de terror em geral e leitores vorazes).
Almocei uma Heineken com Doritos, dormi e a noite eu e a Manda comemos uma pizza e assistimos "Bastardos Inglórios" (que fica mais foda cada vez que eu assisto e ainda me lembrou de baixar o roteiro vazado de The Hateful Eight - malz Tarantino, só faço isso porque te amo).
No domingo, acordei cedo (sem querer, por pura velhice), passei um aspirador de pó na casa, lavei a louça (porque sou velho e responsável) e fui correr no minhocão. Na volta, começou a chover e eu não tinha mais gás pra correr (porque sou velho e gordo), mas recebi aquilo como um sinal. Um sinal de mudança, de que havia algo bom por vir. Passei na feira comprar uns legumes (porque sou um velho com hábitos vintage), e almocei com a Manda um belo almoço caseiro (arroz, feijão, ovo e nuggets). 
Comidas que são hoje tão raras que são sempre uma boa surpresa. A tarde, terminei de ler "O fabuloso Maurício e seus roedores letrados" do já saudoso Terry Pratchett (simplesmente fabuloso como fábula #badumtss), assisti um programa sobre o processo de fabricação do Jack Daniels (e estou com vontade de whisky até agora) e a noite eu e a Manda fomos trocar ovos de páscoa e encontrar a Very pra uma pizza na Bella Antonia.
Estava com saudades da pizzaria que já foi nosso vizinho. E nada como bons canecos de shopp, pizzas de lombinho e chocolate com morango pra matar a saudade de tudo de uma vez só! Fique abaixo com o piloto do seriado que o André Vianco escreveu (as atuações deixam a desejar, mas eu curtiria muito que existissem um seriado nacional assim):

segunda-feira, março 23, 2015

São Paulo (em vista aérea)

Mais um sábado em busca de um novo pedaço de céu poluído, altos rolês pelo centro, e televisão. Nenhuma mesa cheia de amigos ou algo que o valha, será que envelhecer é isso? Espero que não. De qualquer forma, tinha uma Heineken gelada e amendoins na minha mesa, boa companhia ao meu lado e boas leituras na estante. E sábado é sempre um bom dia pra relaxar e comer McDonalds.

No domingo, acordei cedo e fui correr no minhocão. Na volta, eu e a Manda fizemos nosso programinha turístico e saímos visitar o Edifício Martinelli, que outrora já foi o prédio mais alto da cidade, tem uma vista incrível e segundo a internet  "foi abrigo de vários prostíbulos, casas de dança e também foi palco de assassinatos. Em 1947, um crime brutal foi cometido contra o garoto judeu Davidson, violentado, estrangulado e jogado pelo poço do elevador, e o assassino chamado de “Meia Noite” foi preso e acabou confessando o crime (pouco roteiro de HQ?). Segundo o próprio zelador do prédio, o local é mal-assombrado por uma loira, uma mulher chamada Márcia, que supostamente teria sido morta ali. O Martinelli tem um fosso que vai do terraço até o subsolo 2 e, quando houve uma invasão ilegal no prédio, tornando-o um antro de drogados, prostitutas, moradores de rua, gente de toda a espécie, este fosso era usado para despejo de lixo, que foi se acumulando ao longo do tempo. Quando enfim decidiram por restaurar o prédio, ao começarem a limpeza, não encontraram somente lixo, mas ossadas humanas, provavelmente de pessoas que eram mortas e jogadas ali. História completa aqui: http://www.oarquivo.com.br/index.php/temas-inexplicados/3884-os-lugares-mais-assombrados-de-sao-paulo

A vista da cidade lá de cima é incrível e a visita é gratuita e funciona até de domingo! Gostei bastante do rolet! Saímos de lá e almoçamos no Light (de forma não tão light). Soneca, hqs, primeiras impressões sobre novos seriados baseados em quadrinhos (mais no post abaixo) e o domingo passou voando. Voando como um corpo que se joga no poço do elevador do Martinelli. A foto que ilustra o post eu tirei lá de cima, e comprova que toda cidade feia fica bonita em preto e branco.

Quadrinhos em série

Depois de dominar os blockbusters nas telas dos cinemas por mais de dez anos, chegou a vez dos quadrinhos invadirem a televisão com dezenas de novos seriados. Saiba abaixo quais são os melhores seriados baseados em histórias em quadrinhos da atualidade!

1 - Flash
Se tem uma série que é a mais fiel a uma hq, com certeza é esta. Heróis uniformizados, adaptações fiéis dos vilões, bons efeitos especieis. Se você procura por viagens no tempo, uma boa galeria de vilões, aparições de outros heróis da DC (como o Nuclear ou o Arqueiro Verde) e animais falantes, essa é série certa! É a  que mais se aproxima da emoção de ler uma boa e velha HQ.

                                                     2- The Walking Dead
Essa todo mundo já conhece, mas não sabe que ainda vale a pena. Depois de duas primeiras ótimas temporadas e de uma terceira e quarta meia-boca, que conseguiram transformar a história do governador, talvez o maior vilão das hqs em um personagem sem graça, boa parte dos roteiristas foi demitida. E agora a série entrou nos eixos outra vez, tendo vários momentos memoráveis e um leque cada vez maior e melhor de personagens.

3- Constantine
Eu admito que não conheço tanto esse personagem em termos de HQ quanto conheço tantos outros dessa lista. Mas gostei bastante do filme. E também do novo seriado. Tem uma boa caracterização (apesar do clone do Jim Carrey no papel principal ser overacting as vezes) e tem boas histórias. Alguns episódios são mais fracos. Mas no geral é uma boa série, e tem picos bem bacanas, como a história do amigo endemoniado ou do padre que ganhe poderes de um suposto anjo. Essa foi outra série que aprendeu com os erros no meio do caminho. Teve até participação do Espectro e John fumando nos últimos episódios. Espero realmente que continue, e ainda melhor, quando mudar de nome e de canal.


                                                     4- Arrow
De início, torci o nariz pra essa série que parecia focar demais nas interações entre Oliver Queen e sua família do que em sua vida de super heroi. Mas o tempo foi passado, ele trocou a maquiagem por uma máscara, novos heróis (como a Caçadora e a Canário Negro) foram chegando e a série foi ficando cada vez melhor. Pra manter o ritmo acabaram pegando tantos inimigos do Batman emprestados que é uma série mais fiel ao Homem-Morcego do que a própria Gotham, mas não deixa de ser divertido.

5- Marvel´s Agents of Shield
Essa série começou totalmente sem rumo. De Shield mesmo, não tinha nada. Era uma série sobre pessoas comuns (que nem uniforme da SHIELD usavam) resolvendo crises humanas como "Alguém precisa deter esse bandido que achou uma arma que um alienígena que tomou um cacete do Tony Stark esqueceu por aqui". Parece que acharam que os fãs seriam bobos a ponto de consumir qualquer coisa que eles jogassem e acabou não rolando. A segunda temporada apresenta grandes melhoras, vilões começaram a surgir, personagens comuns começaram a ganhar poderes, talvez agora engrene. Mas ainda tenho um pé atrás.

                                                      6- Gotham
Existe uma hq, muito boa por sinal, que chama "Gotham Central", que mostra como os policiais de Gotham City se viram com os vilões enquanto o Batman está fora. Quando anunciaram essa série, os fanboys piraram porque se fosse realmente baseada na hq poderia render episódios incríveis. Infelizmente não foi o caso. Alguém teve a grande ideia de fazer um seriado assim, só que no passado. Porque? Só Deus sabe. E sendo assim, temos uma série sobre a cidade do Batman sem o Batman e sem seus grandes vilões no auge. É o mesmo que fazer uma série sobre Smallville, antes da nave do Superman chegar. Tem graça? Não. Apressar o surgimento dos vilões tem graça? Nope. Ainda assim, o nome do Batman tem força, e tem quem goste. Na minha opinião, não faz falta.

7- Marvel´s Agent Carter
A agente da pré-SHIELD e "namoradinha" do Capitão América, que teve seu seriado lançado esse ano me surpreendeu ao servir de ponte pra criar um passado pra Marvel em uma série fortemente feminista. Temos o pai de Tony Stark, Jarvis, o início do projeto Viúva Negra e - caralho! - até o Comando Selvagem de Dum-Dum Dugan. Acabei achando melhor que a própria série da Shield, mas ainda falta um pouco de sal. Falta a emoção da Marvel, aquela que ironicamente hoje, só se encontra na série do Flash. Ainda assim, acho que tem muito potencial e foi melhor do que eu esperava.

                                                     8 - Powers
Outra série fresquinha, que acabou de estreiar na PSN pra quem é assinante do serviço Playstation Plus é Powers, baseada em uma hq do Brian Michael Bendis, na qual policiais comuns tem que lidar com criminosos superpoderosos. Tipo Gotham, se lá os vilões tivessem superpoderes (ou graça). A série está nos seus primeiros episódios, mas gostei bastante do piloto e vou acompanhar com certeza.

9 - iZombie
Uma garota zumbi que assume as memórias dos cérebros que consome, começa a ajudar um policial da cidade a resolver crimes. Parece que essa hq (ainda que a história original seja bem diferente) nasceu pra virar seriado né? A abertura ainda é do Mike Allred, e apesar de ser uma série policial mais clichê, o fato da protagonista ser zumbi acaba sendo realmente divertido. Ainda está começando, mas por enquanto vou dar uma chance pra ver qualé que é a dela!

10 - Demolidor
E mês que vem estreia Demolidor na Netflix, né! A chance da Marvel usar um heroi já consagrado e mostrar que é foda de verdade! Ficamos no aguardo!

segunda-feira, março 16, 2015

Clube de leitura, hamburguer, cinema, passeata e corrupção

Nesse sábado de manhã, depois de ler algumas hqs e um pedaço de "Maurício e seus roedores letrados",  eu e a Manda saímos em busca de uma nova toca, andamos durante horas pela região da Santa Cecília, mas não rolou nada muito sensacional (e sim algumas decepções, preço bom mesmo só quando o prédio está caindo aos pedaços), almoçamos na Gemel (padoca dahora do Largo do Arouche), e fomos pra casa cochilar e assisitir Doctor Who. 

Umas 17h da tarde, saí pra Livraria Martins fontes onde rolou um clube de leitura, aprender um pouco mais sobre SDA e provar hidromel. Gostei da experiência, aprendi bastante sobre Tolkien, mas não consegui tirar a sensação de que estava numa missa. Dois sacerdotes que falavam até a língua dos anjos (ou elfos, ou orcs) liam passagens da "bíblia" enquanto alguns fiéis ouviam atentamente e ao final todos se reuniam ao redor de uma garrafa. Sempre me considerei nerd pra caralho, mas aprender línguas fictícias e decorar a árvore genealógica de seres que não existem talvez esteja um pouco fora da minha alçada. 


De qualquer forma, chegando em casa a Manda já me esperava pra gente ir pro Sujinho da Av. Rio Branco curtir O melhor hamburguer de São Paulo (quiçá do mundo!). Fazia tempo que não íamos lá, tinha até esquecido do quanto era bom, do chopp brahma gelado e da porção honesta de batata frita com cheddar! Que coisa de Deus! 
Saindo de lá, fomos pro Marabá, assistir Kingsman - Serviço Secreto, novo filme do Mathew Vaughn baseado numa hq do Mark Millar. Não se deixe enganar pelo trailer sem graça que está passando por aí, o filme é simplesmente sensacional. O melhor filme de ação que vi nos últimos tempos! Ótimos atores, cenas de ação inovadoras, vilões caricatos e uma trilha sonora do naipe de Guardiões da Galáxia. Sabe Machete? Então, foda tipo isso! Sério, bom demais! 

Domingo joguei um pouco de PS3, e umas 11h da matina eu e a Manda descemos pra feira fazer mais uma visita agendada numa toca ali perto e comprar umas frutas e verduras. Almoçamos um spaghetti à Verydiana (só que com mais calabresa do que macarrão) e fomos pra Paulista nos juntar ao mar de um milhão de pessoas que protestavam contra nossa corrupção rockstar (adendo abaixo). 
O metrô tava de boa quando chegamos, por volta de 14h, chuviscou um pouco, mas conseguimos um espaço embaixo de uma bandeira gigantesca pra nos proteger da água e umas 16h fomos embora (com orgulho da nossa bandeira #badumtss). Em casa, mais algumas hqs, Bruce Lee vs. Chuck Norris de costas peludas em "O Voo do Dragão", espigas de milho e bolo de banana caseiros (ou seja, Amandeiros) de janta e fechamos o finde com o filminho "O Jogo da imitação", que supre bem por ora a falta de novos episódios de Sherlock.

Corrupção rockstar
O que me incomoda na corrupção na política brasileira é a quantidade do roubo. Entendo que pessoas próximas do poder e do dinheiro se sintam tentadas a roubar. "Um pra você, dois pra mim" é a tática mais antiga de quem é o responsável pela divisão. Mas não ter limite, é um pouco de abuso né? Por exemplo, um dos putos envolvidos no lance lá da Petrobrás afanou a bagatela de 100 milhões de dólares. Cara, é outro nível. É algo que um astro do rock tem que batalhar MUITO pra ganhar. A estimativa do rombo total da Petrobrás é de R$ 88 bilhões de reais. BILHÕES. Não dava só pra melhorar o país, controlar o preço do dólar e da gasolina, dava pra comprar outro país. Assim fica difícil, né pessoal?

Play that funk music, white boy!

Semana passada eu e a Manda voltamos pra Jau, rolezinho básico de sexta com carona com o Eduardo, paradinha no posto, e cervejinha me esperando em casa. No sábado, fui almoçar com meus pais no Zezinho, instalei Netflix em casa (depois de muito tempo no escuro ao final do dongle pc-40, agora tem bom conteúdo novamente na tv lol), li muito, e a noite, fomos pra casa do Gustinho tomar umas cervejas (e caipirinhas, e pingas!) e queimar umas carnes (e pães de alho, e queijos!). Nada como uma quantidade cretina de alcool pra ativar novas ideias. Acabamos criando praticamente todo o conteúdo pra um cd imaginário de funk, de nossa nova banda fictícia chamada "Sacolejo" (que é o movimento que o saco escrotal faz na hora do "vamos ver"). Nos aguardem em breve no programa do Rodrigo Faro (já perceberam que ele tem a mesma voz que o Rafinha Bastos? juro!). Domingo li mais um pouco de Doctor Who, assisti um pouco de "Better Call Saul" com meus pais, fomos almoçar no Ítalo (um delicioso pintado à indiana - sempre que como sem a Manda tenho que aproveitar pra comer peixe, já que ela não gosta de nada que vem do mar e nada melhor do que um suculento peixe recheado com catupiry e coberto com bacon!), dormi mais um pouco, saí com a Manda fazer as compras da semana (porque 100g de presunto em SP custam 10x o que custam em Jaú), li mais algumas hqs e logo já eram 20h, hora de ir pro McDonalds encontrar o Edu. Segue abaixo o tracklist do novo cd:

Sacolejo Vol.1 - "Uma hora o bacalhau assa"

1.Cookie é bom 
2. Catchup minha bisnaga
3. Uma hora o bacalhau assa
4. Capim Canela
5. Ah! Sacolejoe!
6. Corneta, paleta, boce...

Como todo bom funk, a batida de todas as músicas é idêntica (tchumcha, cha, tchum thchum cha) e as letras tem 4 versos com forte conteúdo sexual. Vai ser sucesso entre as crianças do pré-primário! 


segunda-feira, março 02, 2015

O fantasma do elevador

Mais um conto curto levemente baseado em fatos reais, e que fica melhor ao som de "love in an elevator" (vídeo abaixo)...

A empresa na qual Thomas trabalhava havia se mudado muito recentemente para uma nova sede na Avenida Paulista. Isso significava que diariamente ele tinha que pegar dois metrôs todas as manhãs, desviar do pessoal da Unicef que cerca todos os transeuntes como cães sarnentos em busca de contribuições mensais e tentar lutar contra a vontade de tomar um café gelado no Starbucks.
Na verdade, ele nem gostava de café. Mas eles colocavam tanto leite, gelo e chantili em tudo que preparavam que aquela deliciosa bebida cremosa que chegava às mãos de Thomas não lembrava nem remotamente café. 
Thomas vivia uma vida pacata. Conversava o mínimo possível com os colegas, almoçava sempre no mesmo restaurante (só pelo prazer de um pão de alho incrível chapeado na hora) e no resto de seu tempo livre, procurava por algum livro novo nos sebos da região.
Mas na terceira semana após a mudança, em uma terça feira chuvosa, Thomas vivenciou algo que definiria todo o resto de sua existência.
Ele retornou do almoço, pontualmente as 13h, lutando para ignorar o aperto no coração causado pelo mendigo sem pernas que de segunda à sábado faz ponta bem na porta do edifício, e apertou o botão do elevador.
Subiu nele junto de dois japoneses, e assim que eles desceram no sétimo andar, ouviu algo muito estranho, um grito de mulher.
Não um grito prolongado, como se alguém estivesse caindo de um precipício. Só um singelo "ah", como o de alguém que diz "ah, esqueci minha carteira", ao utilizar o velho golpe do "estou sem grana hoje, vou apelar pra caridade de algum colega de trabalho". 
Nenhum dos japoneses - que conversavam animadamente a respeito de uma viagem para os parques da Disney na Flórida - pareceu ter notado, mas Thomas tinha certeza de ter ouvido o barulho e decidiu fazer uma parada no meio do caminho, para ver se ele continuava. 
No oitavo andar, ouvi novamente: "Ah". E começou a pensar se não estaria imaginando coisas. O que era muito improvável, já que não bebia há dias.
Ao chegar no décimo andar, ouviu o som novamente. Não havia ninguém na recepção para quem ele pudesse delatar os fatos, então decidiu simplesmente se dirigir para seu cubículo e continuar trabalhando na programação do sistema de segurança do site do banco para o qual trabalhava.
O resto do dia passou normalmente, sem nenhum outro surto de imaginação fértil, e as 18h43, Thomas tomou novamente o elevador, ao final do expediente.
Assim que o carro chegou no térreo, ouviu mais uma vez o "Ah". Olhou para a recepcionista, mas ela parecia não ter ouvido nada. E com vergonha de se passar por idiota na frente da formosa jovem, desistiu de fazer qualquer comentário.
No dia seguinte, esperou pelo elevador que gritava, mas todas as vezes que precisou descer ou subir foi prontamente atendido por outro dos quatro elevadores do edifício.
Na quarta-feira, ao chegar ao trabalho, lá estavam os lamentos. Assim que a porta se abriu.
Ao invés de descer em seu andar e começar a trabalhar, ele permaneceu dentro do elevador e apertou cada um de seus botões. E em cada piso do prédio, se escondia o mesmo lamento.
Estaria aquele carro amaldiçoado? Talvez o fantasma de alguém que faleceu naquele local? 
Ao bater no térreo, Thomas fingiu estar entretido com seu aparelho celular para ignorar os olhares inquisitivos da recepcionista da manhã. 
O rapaz passou o resto da semana tentando evitar o elevador maldito, mas mesmo quando se encontrava em outro dos carros, ouvia ao longe um ou outro grito de socorro abafabado, vindo do lado de fora.
Ele não entendia como ninguém mais poderia ouvir aqueles barulhos. Pegou o mesmo elevador de volta para seu trabalho e comentou com seus colegas de trabalho a respeito dos pedidos de socorro. Ninguém lhe deu ouvidos. Disseram que ele devia guardar essas histórias para as mesas de bar. Desanimado e com medo de realmente estar ficando maluco, ele desistiu de tentar convencê-los e tomou outro elevador até o térreo.
Mas os gritos continuaram a persegui-lo durante o final de semana. No sábado ele sonhou que o barulho era oriundo do fantasma das pernas do mendigo do qual ele tentava desviar diariamente. Será que ele tinha perdido as pernas naquele mesmo prédio e por isso assombrava a frente do local? Será que ainda havia algo de suas pernas preso no elevador?  
Na segunda feira seguinte, Thomas subiu decidido no elevador. As vozes haviam perturbado seu sono e suas ideias durante todo o final de semana. Ele sabia que tinha que investigar o que quer que houvesse preso no elevador. Subiu até o décimo andar, como de costume, mas ao invés de descer para o trabalho, apertou o botão de trava do dispositivo. Agora era só ele e o elevador. Ele investigou cada uma das extremidades da caixa metálica. 
Nada. 
Colou o ouvido no chão. 
Nada.  
Olhou para cima e viu que o teto poderia ser desencaixado, e foi exatamente isso que ele fez. Forçou as placas para cima, empurrando-as para o lado, e projetou-se para cima da caixa do elevador, fazendo com que as cordas do mesmo balançassem de forma estranha.
Na hora do almoço, aquele elevador estava interditado. 
Uma faixa policial impedia a entrada de qualquer um.
Enquanto isso, um investigador da polícia interrogava o técnico de elevadores convocado para examinar o local. 
"Não sei como ninguém desconfiou que esse troço estivesse com problema" - o técnico disse ao policial. - "Com essa peça gasta, o barulho que o bicho faz devia ser tão alto que o elevador devia estar praticamente gritando por socorro".

Podcasts e Audiobooks

O metrô está cada vez mais cheio. Inferno na terra. Literalmente, não tem mais espaço na plataforma nem para as pessoas que estão chegando de outra estação. Sério, não tem espaço pra descer do seu trem e caminhar até o próximo. A travessia Consolação/Paulista, que num dia vazio não leva mais que três minutos tem levado cerca de 25 min, meia hora. É muito tempo perdido. Ou melhor, era. Na semana retrasada comecei a ouvir alguns podcasts enquanto estava na procura de dicas para autores iniciantes. Gostei do negócio. E se era legal ouvir conversas a respeito do "Exodo Urbano" que São Paulo precisa, melhor ainda só se eu pudesse ler um livro. E eis que então me lembrei dos audiobooks, livros ditados que você pode ouvir enquanto seu corpo está preso em locais desagradáveis como o trânsito ou no metrô. Comecei então a ouvir "Last chance to see", diário de viagens do Douglas Adams ao redor do mundo em busca de animais em extinção. Foda pra caralho! Mais dois capítulos (ou três dias no metrô) e eu termino. Fico esperando a ter que pegar metrô pra continuar! E o que era momento de suplício, virou de prazer. No ritmo que vivo, estava super difícil sobrar tempo pra ler. Garantido mesmo, só na privada e aí as hqs que são mais curtas tinham preferência. Agora vai dar pra "ler" muito mais! E a travessia pelo inferno até passa mais rápido. As pessoas ao redor estranham. Algum trecho da história me faz cair na risada e elas provavelmente pensam "do que caralho esse puto tá rindo nesse aperto e nessa lerdeza lazarenta?". Mas enquanto houverem audiobooks, eu estou de boa. Lido ou ouvido, nada melhor que um bom livro.

Um bom site pra achar livros, em inglês ou português, é esse aqui:

quarta-feira, fevereiro 25, 2015

Carnatal e 1001 utilidades pra um descanso

Eu a Manda passamos o carnaval em Jaú. Nada de festa, nada de confete, nada de folia. Mas teve tantos presentes que foi quase natal! Cheguei de carona em casa na sexta, e meus pais, que haviam viajado, deixaram minha cama coberta com perfumes, cadernos de desenhos e hqs do Tio Patinhas! Fora as cervejas e lanches na geladeira pra matar a fome da chegada! Sucesso! carNatal é muito melhor que carnaval! De resto, usei todo o tempo pra relaxamento mesmo, li muitas hqs e livros, desenhei, tive noites de filmes com a Manda (como "Serra pelada" - o documentário, porque baixei errado achando que era o filme, mas que era interessante pra caralho ver o como os garimpeiros gastaram toda a grana que ganhavam com putas ou fretes de jatos; "A fortaleza escondida" do Kurosawa, foda demais!; e "Whiplash", trilha sonora abaixo). Uma ou outra cerveja com o Tio Ilha no lanche dos Baratheon, umas stellinhas e amendoins com o Ecoguturista na loja de breja do shopping ou em casa, ou aniversário churrasco do Bones na casa de um desconhecido. Fora isso, ainda corri todos os dias na Av. Wolverine pra deixar o cooper feito (#badumtss).

A mini-semana, que começou na quarta a tarde passou voando. E logo chegou a sexta. A Manda capotou umas 8h30 da noite, me deixando tempo pra terminar de zerar Prototype 2 e começar a assistir "Amadeus", historinha bacanuda sobre a vida de Mozart, na Netflix. No sábado, fomos no teatro do Museu da Casa Brasileira assistir "Florilégio, nas Ondas do Rádio", um musical bem bacana, onde cantaram várias músicas antigas (tipo "Sa-sa-sa-ricando), que foi o mais próximo que chegamos do carnaval e ainda vimos o eternamente famoso pelos comerciais de Bombril dançando Gangnam Style ou cantando ao lado da "mãe do Lucas Silva e Silva" do mundo da lua "Garota de Ipanema" em diversas línguas. Bom, bonito e de graça! Além disso, tinha no museu várias peças de design muito loucas expostas e uma réplica de um quarto de uma cela do Carandiru (que, a primeira vista, e obviamente, vazio, não parecia tão ruim). Passamos no shopping igutemi e a noite, tomei uma cerveja com pães de queijo. No domingo de manhã, corri no minhocão, li centenas de hqs, assisti Star Trek: Nemesis (porque nem só de filmes oscarizados vive um nerd) e comecei a jogar "Thief" no PS3. A manda passou a maior parte do tempo estudando, mas intercalou os estudos com a cozinha e fez strogonoff, carne de panela, porção de calabreza e um incrível bolo de milho. E aproveitei parte do silêncio dos estudos dela pra curtir meu novo vício: audiobooks (post sobre isso em breve!). Eis que então caiu a noite, começou a cerimônia do Oscar e acabou o final de semana. =)

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Asilo Arkham

Bom, pessoal, como a DC Comics ou a Marvel estavam demorando demais pra me contratar, acabei decindindo fazer essa HQ elseword sobre o asilo arkham por conta própria mesmo.

O iPad facilitou bastante pra desenhar, e até que foi mais fácil do que eu pensava colorir no Photoshop.

Nada como um carnaval em casa pra terminar esse tipo de projeto.

Minha versão de "Asilo Arkham", leva em consideração a lógica do seriado Gotham (onde todos os vilões serão bem mais velhos quando o Batman estiver na casa dos 40 anos de idade) e principalmente o sentido que a palavra asilo possui no Brasil, de casa de abrigo para idosos.

É bem curtinha, segue o link caso alguém queira dar uma lida: asiloarkham.tumblr.com

Espero que gostem!




quinta-feira, fevereiro 19, 2015

Por dentro do monstro

Acabei nem comentando por aqui, mas semana passada fui visitar a sede do metrô de São Paulo e acabei dando um rolê geral pelo centro de operações deles. Lugar moh CTU (centro de controle do seriado 24h), com diversas telas mostrando as câmeras de segurança, linhas elétricas e movimentos dos trens. Tudo muito bacana e o pessoal prestativo demais. Tirei várias dúvidas que eu tinha, como por exemplo:
1. Porque o metrô não é 24h como em outros países?
R: Porque eles precisam fechar em algum momento para dar manutenção nos trens e trilhos. Nos países 24h, existem mais trens e trilhos alternativos que vão pro mesmo destino. Então dá pra um trem rodar seu caminho, enquanto a outra via tem manutenção.
Ou 
2. Porque não colocam mais trens em circulação?
R: Porque atualmente a linha já opera com o limite. Deve existir uma distância mínima de 150 metros entre os trens e é assim que operam hoje. 
Fora isso, ainda ganhei uma mochila com o mapa das linhas, um toy paper, chaveirinho, pasta e caneta, ou seja, me tornei um verdadeiro metrolino (nome "oficial" dos fãs do metrô)!
Fazer o quê? 
As vezes as instituições, assim como as pessoas, são mais bonitas por dentro do que por fora.

sexta-feira, fevereiro 13, 2015

O bosque do medo

Existem milhares de histórias a respeito de camponeses que moram em cabanas próximas a bosques "mágicos e proibidos", o quais ninguém do povoado jamais se atreve a visitar por que o Medo não deixa. 
Nunca acreditei nisso. Gosto de pensar que no Sr. Medo mando eu. Sempre pensei que se existisse a merda de um bosque proibido perto da minha maldita casa, eu entraria ali sem problema algum, e digo mais, se fosse proibido entraria mais ainda, e mais de uma vez.
Mas eis que chegou o dia no qual me mudei para perto da Praça da República, ficando a apenas algumas centenas de metro do local que talvez seja o mais sujo e punk da cidade de São Paulo.
Nesse dia,  me tornei um indefeso camponês medroso. 
Lógico que já atravessei a praça, mas sempre pela parte iluminada, próxima da polícia e livre de árvores. O coreto, o mini lago e as pontes só vi de longe. Nunca visitei seu lado negro. 
O buraco onde se escondem as criaturas mais horríveis: homens que se vestem de mulheres para enganar outros homens. Bruxos que fornecem meios de separar mentes de corpos. Ladrões, salteadores, craqueiros, andarilhos e assassinos que dormem, se escondem e transam por ali. 
A praça toda fede a mijo e é um espelho do que a humanidade tem de pior a oferecer. O que existe de mais baixo e nojento. Quando possível, evito passar perto até de dia. De noite, não me atreveria a passar por ali nem com os bolsos vazios. E isso é algo que me irrita demais.
Primeiro, porque ver a liberdade de ir e vir de centenas de pessoas de bem limitada por uma dezena de aberrações é uma injustiça do caralho. Em segundo, porque a intenção original provavelmente foi propiciar um local onde as pessoas pudessem compartilhar  momentos de alegria. Ninguém constrói uma porra duma praça pensando "e aqui vão ficar os travecos batedores de smartphone", pelo menos eu acho. Mas não importa como, o lugar que deveria abrigar passeios, crianças e animais, virou antro de malfeitores.
Não é incomum ouvir gritos de "socorro" durante a madrugada. Mas por mais hqs que eu tenha lido na vida, não sou idiota de vestir uma máscara de esqui e tentar salvar a donzela em perigo (provavelmente alguma ex-modelo viciada em crack) de algum dragão (talvez um traveco traficante, ou "travecante"/cafetão).
Um quadrado imenso de verde, escondido no coração da maior selva de pedra do país. Fonte de oxigênio e veneno. Um lugar a ser evitado.Será que a polícia realmente não pode fazer nada?
Particularmente, acho que o que eles tem é medo. 

quinta-feira, fevereiro 12, 2015

Um dia desses, em que os tártaros se vão mas o sono não vem

Terça feira foi um dia bom. Um dia qualquer, mas diferente. Trabalhei, fiz algumas reuniões, almocei no Subway, passei no sebo e comprei um livrinho do Terry Pratchett e uns cookies da Milka no "duty free", trabalhei mais um pouco, fiquei feliz em saber que os direitos do aranha nos cinemas voltaram pra Marvel, e fui na minha dentista.
Um parênteses gigante pra ela, só porque ela merece:
Eu fui só fazer uma limpeza, afinal os tártaros, esse nome que parece pertencer a uma tribo de bárbaros, vivem tentando atacar minhas gengivas e se esconder nas trincheiras do meu contensor inferior. Foi uma batalha sangrenta, durante a qual a Manda usou instrumentos de batalha e eu chorei como uma garotinha, mas saí de lá mais leve, e com um sorriso melhor. Confesso que não devo ser um dos pacientes mais fáceis de lidar, mas imagino que as coisas também sejam diferentes na visão do dentista. Pro paciente, o dentista é o inimigo. Sempre! Não importa se o inimigo mora com você. E sentar na cadeira do inimigo, é basicamente o mesmo de ter uma pessoa que você gosta transformada em um zumbi  de uma hora pra outra. E mais! Os dentistas gostam do que fazem, que é tão complicado quanto escrever seu nome num grão de arroz, mas com o grão dentro da sua boca e com uma mesa viva embaixo! Ultimamente, então, a Manda vive recebendo diversos novos instrumentos pelo correio que a deixam muito feliz. E eu sempre a imagino como um feliz torturador da idade média, de capuz preto no rosto, recebendo novos instrumentos de causar dor. Bom, no meu caso era só uma limpeza, nem doeu de verdade, e a Manda é uma grande profissional, mas era uma ida ao dentista, não um passeio no parque ou numa loja de quadrinhos, então não tinha como não ser tenso!
Bom, saímos de lá e paramos na tradicional casa do mate, pra tomar um mate suíço de maracujá e comer uns salgados. Lá tinha várias opções vegans, e achei uma delas sensacional, uma tortinah de vegarella, que segundo o Google é uma pasta de tofu que substitui o queijo. Voltamos pra casa, assistimos Doctor Who e Hora de Aventura (porque coisas loucas é que são boas), li algumas hqs na Marvel Unlimited e chegou a hora de dormir. 
Pausa para devaneios:
O problema foi que eu estava pronto, minha cama estava pronta (na verdade ela vive pronta, porque nunca a arrumo) e a Manda já babava há algumas horas, mas o sono não veio! Comecei a "saltar de um lado para o outro, como um peixei na frigideira" (metáfora mandalênica), colocar/tirar a camiseta, abrir/fechar a janela, ligar/desligar o ventilador, tomarágua/mijar o tempo todo e NADA do sono vir. Cheguei a pensar até que tinha esquecido de como se fazia. Comecei a ficar maluco. Uma, duas horas da manhã e eu ali, acordadasso! Resolvi apelar, procurei por dramins na galeira, acordei a Manda implorando por dramins, mas nada. Rolei na cama por mais uma hora. Três da manhã, caralho! Minha primeira insônia! Ok, o copão de capuccino que tomei com os cookies as oito da noite talvez seja o culpado, talvez! Acontece que aí apelei de vez.Tinha uma mini garrafa de cachaça Gabriela, adquirida em Paraty, gelando. Troquei a água pela pinga. Dei uma boa golada. E 15 min depois eu estava dormindo. Ufa! Acho que o sono até tinha recebido meu convite, mas se fez de difícil e só veio quando soube que ia ter bebida =b