segunda-feira, março 17, 2025

Baby steps

Esses dias o Rafa começou a andar.

Foi só fazer seu primeiro aniversario de um ano, que do nada, ele que só engatinhava começou a se levantar, cambalear alguns passinhos e de repente ja estava andando. No começo parecia um bebado, equilibrando sua pança e seu cabeção enorme de bebê. Depois com mais certa graça, e precisando cada vez menos de apoio. Essa bundinha magra dele é o melhor airbag que já vi em funcionamento. 

Ele nem chora quando cai. E nunca desiste. Isso é o que o mais admiro. O quanto sem nunca ter lido um livro de autoajuda na vida, sem nem ter noção do que é ser brasileiro, ele não desiste jamais. E a cada pequeno passo, a cada pequena conquista, eu me encho de satisfação. 

Acho que pela primeira vez aprendi o que é ficar feliz de verdade com o sucesso de outra pessoa. Sou tão egoísta que não consigo nem torcer pra um time de futebol. Nunca senti que as vitórias ou derrotas de qualquer time seriam minhas. Mas é só o Rafa aprender a usar um canudo pela primeira vez que meus olhos se enchem de lágrimas. 

Eu amo demais esse moleque. 

Esse sorriso banguela que tem cada vez mais dentes. 

Esse cabelo maluco que forma curvas nas pontas, exatamente o meu de quando eu era bebê. 

O sorriso dele ainda vem do fundo da alma, é totalmente puro e sincero. Tão sincero que pode vir dos motivos mais banais, como eu encher minha barriga de ar e soltar ou simplesmente chegar em casa depois de um dia fora no trabalho. 

Por isso eu também vivo tentando dar pra ele experiências que ele não poderia ter sozinho. Por exemplo, bebes não sabem pular. Então eu pego ele no colo e fico pulando. Ou correndo pelo corredor. Ou engatinho também, pra ver quem engatinha mais depressa. 

E cada gargalhada que ele me dá, é uma vitória. Uma vitória mais minha que dele.